Juliana Vilas

Juliana Vilas, 29, codinome "Pássara", é repórter. Do tipo que gosta de "medir ruas" e ouvir histórias de gente de todos os tipos. Paulistana da zona norte, já morou em vários becos da cidade: Santana, Tremembé, Jaçanã, Tatuapé, Paraíso, Água Branca, Aclimação, Paulista e Bela Vista. É uma espécie de garimpeira urbana de "causos", com ou sem finais felizes.



  • Vida Pechincha
  • Sampa meu Lugar
  • SP-Paris


  • 12 de Novembro de 2009

    Da série: fugiu da escola

    Placas, faixas, cartazes e pixações nem sempre cuidam bem da língua portuguesa. Porque, lamentavelmente, nem todo brasileiro domina com propriedade o idioma oficial do Brasil. Na Moóca, entretanto, um muro chama a atenção. Pelo texto, pela ideia.

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    10 de Novembro de 2009

    Preconceito mata

    Há exatamente um ano, o educador Alberto Milfont foi à uma loja das Casas Bahia para comprar um colchão. Nada mais prosaico para um rapaz de 23 anos, casado e pai de um menino de 5 meses. Seria um dia bem comum, não fosse um segurança da loja ter cismado com o rapaz. Claro, homens de origem pobre com essa idade costumam gerar desconfiança dos mais preconceituosos. Achando que cumpria o dever de vigiar, o funcionário terceirizado da loja discutiu com o rapaz, que mostrava a nota fiscal de compra para provar que não era bandido. Poderia estar roubando, poderia estar matando, mas estava só comprando um colchão que deveria resguardar o sono da família. Alberto não estava roubando nem matando provavelmente porque passou a infancia pobre sob a proteção da pedagoga Dagmar Garrox, a Tia Dag, a fundadora da Casa do Zezinho, um dos mais bem sucedidos projetos de inclusão social e educação do Brasil. Alberto deu aulas na escola de Tia Dag depois de ser aluno por 10 anos. Depois foi trabalhar em produtoras, casou, teve filho e… foi comprar um colchão.

    O vigia não sabia do passado de Alberto, nem quis saber. Discutiu, perdeu o controle e paf… Deu um tiro no rosto do cliente da loja, que morreu algumas horas depois no Hospital do Campo Limpo. Alberto poderia estar roubando, poderia estar traficando ou matando, mas preferiu trabalhar para comprar um colchão e sustentar o filho com dignidade. Morreu. Há um ano, Tia Dag comentou que os zezinhos estavam passados com o crime. Indignados, questionaram a educadora. Alberto tinha a ficha limpa, que fique claro. “Como explicar essa impunidade para os meus jovens?”, Dag perguntou há um ano. Hoje, ela mantém a questão. O vigia Genilson Silva Souza, 29 anos, foi preso no dia seguinte ao crime, mas conseguiu habeas-corpus 15 dias depois. O processo ainda tramita. E Urblog pergunta: ninguém vigia os vigilantes mesmo? Não, né?

    A Casa do Zezinho fica Parque Santo Antônio, Zona Sul da cidade (Regional Campo Limpo, com 1.200.000 habitantes). Foi fundada em 06 de março de 1994, para ser um espaço de atuação para crianças e jovens de baixa renda, começou com 12 Zezinhos e atende atualmente mais de mil crianças e jovens. Bem perto da casa de Tia Dag, que coloca em prática com maestria a Pedagogia do Arco Iris, há um cemitério famoso pelas estatísticas. A região, que já foi considerada uma das mais violentas da capital, tem o maior número de jovens - de 15 a 25 anos – enterrados por metro quadrado do mundo. Num cenário como esse, Alberto, que foi voluntário na Casa e deu aulas para outras crianças é, de fato, uma perda dolorida.

    Há dois dias, amigos e parentes de Alberto fizeram um protesto em frente à loja em que ele foi assassinado. A viúva e o filho estavam lá. O menino provavelmente não vai lembrar do pai quando crescer. Mas vai saber da história toda.

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    28 de Outubro de 2009

    Roda, roda, roda e avisa

    “Abelardo Barbosa, tãtãtã, está com tudo e não está prosa…†Na festa do filme Alô Alô Terezinha, exibido na 33ª Mostra Interacional de Cinema ontem à noite, a inesquecível na trilha do Porgrama do Chacrinha tocava a cada 45 minutos, mais ou menos. E as inesquecíveis chacretes estavam lá, relembrando os idos tempos de palco.

    E elas mantém contato até hoje. A maioria veio do Rio numa van, todas juntas, para prestigiar o filme e curtir a festa na Biroska, uma das cinco casas da empresária Lilian Gonçalves, a dona da rua Canuto do Val, a rainha da noite paulistana e da calçada da fama brasileira (que ainda será inauguarada). Lilian estava tão entusiasmada quanto as colegas contemporâneas. Diz que Aberlardo frequentava o Biroska. E fez as vezes de apresentadora da noite. As atrações, claro, elas, as chacretes. Ou ex? No Biroska não tinha ex não. Posicionadas na escada principal da casa, elas rodaram, avisaram e arrasaram.

    Cabocla Jurema, Rita Cadillac, da turma mais conhecida dos anos 70, todas estavam lá. Lúcia Apache adora o passado no palco do Velho Guerreiro, mas garante que a vida hoje está excelente. Mora na região do Leme, na capital fluminese, é dona de casa e tem quatro netos. Estrela Dalva Cabelos de Fogo, dançarina de 1975 a 1979, confirmou que levava beliscões do chefão. Vera Furacão trabalhou como instrumentadora cirúrgica depois que parou de dançar e já se aposentou. Também mora na região de Copacabana. Sandra Mattera (chacrete de 1968 a 1974) é a única da geração que hoje mora em São Paulo – e exibe uma tatuagem de constelação no rosto, ao lado do olho direito. “Comecei a me tatuar há 20 anos. Adoooro!â€, garante. Animadíssimas, cantaram ao som de Biafra, dançaram lambada e relembraram os velhos tempos, com o glamour de sempre…Até às 4 da manhã, a todo vapor.





    23 de Outubro de 2009

    O Panda da Mostra de Cinema

    A Mostra de Cinema de São Paulo começou. Comosempre, com uma bela festinha de abertura. Este ano, na The Week. Descolados de todos os tipos e idades circulavam pra lá e pra cá, com os copinhos na mão, um sorriso no rosto e aquela ansiedade típica de quem não vê a hora de entrar numa sala de cinema e nunca mais sair até ver TODOS os filmes da Mostra que for possível. Na pista, ferveção ao som do DJ Tutu, que não economizou no set - que incluiu música brasileira e… axé music. “Ia-aá Sacalavajunaê, ia-aá sacalavajuna-á, Madagascar, ilha ilha do amor, Madagascar…†Sim, rolou lambada também, forró e entusiasmo geral.

    Uma dessas figuras cinéfilas felizes da vida com a Sétima Arte era Marinês. Ela não se acabou na pista, mas circulou, viu gente e conversou muito. Além dos muitos anéis, ela exibia também uma inusitada bolsa de urso panda. E sombrancelhas feitas à lápis (ou kajal?), num estilo muito, mas muito particular. Marines jura que vai ver o máximo de filmes que puder. Que ninguém duvide. Boa maratona, Marines! Tcha-au!

    olhaaa

    UMA IMAGEM VALE MAIS do que mil comentários

    Leia também:
    Barba, cabelo e bigode

    O Festival Revelando SP

    Dicas para curtir a Mostra sem infortúnios desnecessários



    16 de Outubro de 2009

    Noite de Glória, Deborah, Brenda

    Augusta e Glória são as rainhas da noite paulistana. A primeira dispensa apresentações. Já a segunda, lotada de karaokês, é point certo de descolados e modernos “em geral†que não tem medo de ser feliz nem de soltar a voz nos microfones nipônicos. Brenda Lígia, a multifacetada atriz que já foi tema de post deste blog, surgiu na casa da Mama (Eiko Harada, a simpática senhora que administra a Choperia Liberdade) e, como se não existisse amanhã, dividiu microfone com a atriz Debora Secco. Todo mundo cantou junto, uma beleza. Vejam só:


    PROIBIDO O QUÊ?



    O nome da bala foi, provavelmente, inspirado nele. Ou no personagem para o qual ele deu vida nos anos 60. O ‘7 belo’, como era conhecido Brasil afora, era garoto propaganda de uma emissora de TV. “Fazia os reclames ao vivo, com humor, no meio do jogo de futebol, de um programa. Recebia caminhões de cartas. Ninguém em TV recebeu mais cartas do que euâ€, garante. Seu Valdir, 70 anos, canta, dança, sapateia, assobia e chupa cana, tudo ao mesmo tempo. Mas na verdade, só quer se divertir. “Era um fenômeno, dei muito autógrafo e a única coisa chata é que não tinha privacidadeâ€, pondera o humorista.

    Apesar do sucesso do passado, Valdir não reclama dos dias atuais. “Hoje faço publicidade, que dá mais dinheiro. Ainda me divirto, não tenho queixas nãoâ€. Ãntimo de computadores e da internet, tem duas contas no youtuve, está no orkut e em todas as redes sociais. E foi pioneito na TV. Nunca casou, nem teve filhos. Mas também não vive sozinho. “Ah, é tico tico no fubá, né?â€


    Valdir começou no circo, sempre animando platéias, uma espécie de “MC das antigasâ€. Depois foi para o rádio e, quando surgiu a TV, lá estava ele. “Fui o símbolo do canal 7. A bala nem existia nessa época. E eu nem registrei o nome do personagem, não se usava fazer isso naquela época. Era uma alegoria o 7 belo, a carta mais valiosa. Depois de um tempo, o personagem ficou tão conhecido que em todas as repartições tinha alguém apelidado de 7 beloâ€, lembra Valdir.


    A melhor parte de toda a fama, segundo Valdir, eram os banquentes. “Era convidado dos prefeitos. E ia sempre de cartola. Fraque e cartolaâ€. Fã de música sertaneja antiga, reclama que show, hoje, é só pagode. “Hoje só querem pagode.Olha quantos cantores bons estão enconstados aí?†Mas Valdir, nascido e criado na capital paulista, não é do tipo saudosista. Só sente saudade mesmo do Topolino. “Era o meu carro, lindo. Pintei ele todo, na época em que não usava pintar o carro como hoje. Ninguém fazia, não podia. O meu era todo desenhado e tinha que girar a manivela para sair. Na rua, todo mundo parava pra ver. Fui tantas vezes guinchado pelo Detran que eles até já me conheciam. Eu ia lá, tomava café, conversava com eles e me e devolviam o carroâ€, lembra. É, se ele só queria divertir e se divertir, disso não pode reclamar mesmo.



    O CAVANHAQUE é marca registrada



    CURTINDO a fama e o prestígio com Fenômenos de ontem…



    …e de hoje



    E O INESQUECÃVEL Topolino, que até concurso ganhou.



    No sábado passado ele voltou para casa, em Nova Iorque, depois de uma produtiva temporada no Brasil. Antes, entretanto, fez questão de deixar sua marca em São Paulo. Ao lado do grafiteiro paulistano Eduardo Kobra, de 34 anos, Jay Mides, 75, emprestou ainda mais cores e símbolos à capital.


    Jay é considerado o precursor do grafitti em Nova York e um dos seis maiores expressionistas norte-americanos vivos. Como se não bastasse, influenciou Jean-Michel Basquiat. Como assim? É. E não só como artista, mas como sogro. Sim, a filha de Jay namorou Basquiat nos tempos áureos da arte urbana no país de Obama – começo dos anos 80, final dos 70. Jay, que é judeu, estuda e se interessa pela fusão de culturas e, como “Deus é negro†(garante), está preparando um livro sobre a mistura e a relação entre as culturas negra e judaica. A obra deve ser lançada no ano que vem. O Brasil, especificamente a cidade de São Paulo, para o Mides, é ícone dessa mistura que ele tanto admira. Quem sabe por isso, avisou Kobra, fera paulistana das tintas e sprays, que gostaria de grafitar em São Paulo. Na sexta-feira, Kobra e Jay se lançaram num grafite duplo. Na Avenida Rebouças, Kobra e Jay “apresentaram suas armasâ€. E mandaram bem.


    Jay diz que não gosta de rap e que só ouve jazz e música e erudita. Além da arte urbana, ele faz ainda um trabalho que mistura dança e artes plásticas. O corpo de Jay – bem conservado para a idade, aliás – é o pincel em determinadas obras… Mas o papa da street art novaiorquina garante que gosta mesmo é de dançar reggae e salsa.


    Kobra, 34 + Jay, 75, que influenciou Basquiat, que influenciou Kobra e muitos grafiteiros desta geração

    KOBRA conta como surgiu a ideia

    Jay + Kobra em ação

    Jay e o jeito todo seu de trabalhar: ele faz um traço, olha o resultado de longe, mais um detalhe, mais uma olhada…

    Um maluco, mais perdido do que cego em tiroteio, passa pelo muro, não entende nada e ainda solta o verbo


    Jay dá entrevista para uma emissora de TV – reparem nas caretas dele




    08 de Outubro de 2009

    SP Delivery

    Está sem tempo para cortar o cabelo? Só pode cuidar dessas coisas depois da hora do rush e não quer passar a tarde de sábado no cabeleireiro lotado, cheio de barulhos estranhos e revistas mais velhas? Em São Paulo, a terra da imobilidade e do delivery, isso não é problema. Além de salões que funcionam 24 horas, alguns profissionais oferecem serviços em casa – e a preços justos.

    O cabeleireiro Ari, que até grafiteiro e pixador já foi, vai até a casa dos clientes cortar, colorir, alisar e enrolar. A qualquer hora do dia ou da noite ele chega com a maleta em que carrega tudo o que precisa. “A maioria só pode depois das 10 da noite. E muitos se juntam em turmas. Já saí 3, 4 da manhã da casa de algunsâ€, conta Ari, o speed das tesouras, capaz de fazer um corte incrível em menos de meia hora. E sem assistente. Se bobear, ele ainda ajuda a juntar a cabeleira que cai no chão - aliás, o único inconveniente de receber seu cabeleireiro em casa. Nada, entretanto, que umas boas vassouradas não resolvam.


    NA CASA DA mãe Joana

    ARI em ação
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    05 de Outubro de 2009

    Procura-se

    Maria procura a sobrinha desaparecida há 20 anos. Nem sabe por onde começar. Como ela, milhares de pessoas procuram entes queridos que sumiram. E enquanto não acha a sobrinha, segue buscando um trabalho, qualquer que seja. Maria é gente que procura…



    02 de Outubro de 2009

    Vinho ou catuaba?

    Bebeu demais, pegou o Metrô e paf! Vomitou e dormiu sobre a obra meio líquida meio sólida e cor de vinho – ou catuaba? Virou o comentário do vagão. As pessoas entravam, olhavam com asco e logo iam lá pra longe dele. Algumas riam. Não se pode nem mais vomitar e capotar em paz no metrô? E a dúvida ali era: teria o embriagado rapaz passado da estação em que deveria descer? Há quanto tempo passeava de trem pela cidade? Ninguém sabia dizer. Mas, se beber, não dirija. Prefira mesmo ir de Metrô. É melhor virar motivo de chacota do que morrer, né?