Juliana Vilas

Juliana Vilas, 29, codinome "Pássara", é repórter. Do tipo que gosta de "medir ruas" e ouvir histórias de gente de todos os tipos. Paulistana da zona norte, já morou em vários becos da cidade: Santana, Tremembé, Jaçanã, Tatuapé, Paraíso, Água Branca, Aclimação, Paulista e Bela Vista. É uma espécie de garimpeira urbana de "causos", com ou sem finais felizes.



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  • 30 de Julho de 2008

    Zolé agora é City

    Um dos mais velhos comerciantes ainda em atividade no Mercadão é Seu Quintas. A. Quintas. A de Antônio. Lá está ele, com o indefectível jaleco branco, no box que vende exclusivamente produtos para feijoada.

    - Tenho 81 e estou há 70 anos aqui. Meu pai chegou quando o mercado ainda era central de abastecimento de empórios, vendinhas, secos e molhados. E também das casas. Era tudo diferente naquela época. Hoje isso aqui é lugar de passeio, um ponto turístico da cidade. E o que mais vende é sanduíche de mortadela. Mas quando eu era menino, só tinha quatro cafés, aqui… Agora tem mais lanchonetes do que barracas. E nem existia supermercado no Brasil. As pessoas cozinhavam em casa. E hoje todo mundo compra comida pronta, né?

    Apesar disso, garante que “não pode reclamar, não”. Os negócios vão bem, obrigada. Tanto que criou dois filhos “que estudaram e tiveram boas oportunidades profissionais fora daqui”.

    Paulistano do Belém, Quintas hoje mora no Tatuapé, mas não se conforma com a transformação do bairro ao longo dos anos. Hoje, analisa indignado, só tem prédios de luxo por ali. E até a Vila Formosa mudou de nome.

    City Tatuapé, que seu Quintas chama de “saite Tatuapé”, é o apelido carinhoso que os moradores mais jovens do bairro adotaram para a região. O centro da tal city, podemos dizer, é a badalada Praça Sílvio Romero. E no Shopping Anália Franco, os novos endinheirados da velha Vila Formosa podem encontrar (quase) todas as grifes nacionais e internacionais mais queridas dos brasileiros como Zara, MAC… É, seu Quintas… A Zolé* não é mais a mesma não…

    * apelido pelo qual os moradores da zona sul, jardins e afins costumavam chamar a região leste da cidade, famosa por ser o principal celeiro cultural de manos e minas autênticos. Pronto. Falei.

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