Juliana Vilas

Juliana Vilas, 29, codinome "Pássara", é jornalista. Mas gosta mesmo é de "medir ruas" e ouvir histórias de gente de todos os tipos. Paulistana da zona norte, morou um ano e meio no Rio de Janeiro e, apesar da agradável maresia, sofria de saudade do doce ar da paulicéia. Jamais se recusa a conhecer lugares novos e/ou inusitados, seja para comer, dançar, transar ou fazer qualquer coisa. Como pega amizade fácil em elevadores, metrôs, trens e até no ponto de ônibus, é uma espécie de garimpeira urbana das histórias cotidianas da metrópole.



  • Anastácia
  • GritaSP
  • Jantarte
  • Jornalismo 3G
  • Lili
  • maron
  • Pobre também come
  • Sampa meu lugar
  • Tiago Doria
  • Urbanistas
  • Anastácia
  • Jantarte
  • Pobre também come
  • Jornalismo 3G
  • Jornalismo 3G
  • Tiago Doria
  • GritaSP
  • Pobre também come
  • Sampa meu lugar
  • Urbanistas
  • Jornalismo 3G
  • Tiago Doria
  • Lili
  • maron





  • Gatti era rico, gordo e dependente do automóvel. Um dia, se libertou “daquela vida vulgarâ€. E comprou uma bicicleta. Está desempregado, magro e cicloativista. Faz alguns trabalhos como free-lancer para se sustentar, mas não recusaria emprego fixo de R$ 3 mil por mês - seria bem suficiente. Tem 41 anos e uma neta de 6 meses, mas ninguém diz. Odeia os automóveis, a dependência de carro, a cultura das quatro rodas.

    Este ano, já causou ao pedalar pelado para mostrar seu ativismo. Na sexta dia 29, só não estava de terno porque trabalha sem e não teve tempo de passar em casa antes de encontrar os seus amigos amigos da bike no lugar de sempre (Pça. Do Ciclista, Paulista X Consolação), vestido de executivo. Era a bicicletada dos executivos. Dos amigos do carro? Pedalar de terno não deve ser fácil, ainda mais sob a garoa finiiiiiiinha que caia na sexta.



    Está marcada para amanhã, dia 30, mais uma edição do BlogCamp Brasil (”comunidade em torno de um evento, baseado na metodologia do Espaço Aberto - Open Space Technology, onde os participantes organizam a própria pauta, formando pequenos grupos de discussão sobre determinado tema”). Urblog vai lá, no Gafanhoto - esquina das avenidas Rebouças e Faria Lima, às 10h. O local, aliás, foi citado por nosso colega Tiago Doria, como um dos preferidos na SP dele. Eu, Juliana, repórter do Urblog, vou por sugestão do amigo e jornalista Alexandre Maron (Diretor de Redação de ÉpocaSP).

    E, descobri no LadyBugBrazil : hoje é dia da Limpeza Urbana. E São Paulo tem tudo a ver com isso. Tudo bem que a cidade está lotada de lixo e que não há cestos onde você mais procura, mas passar mais de meia hora lavando a calçada com mangueira e gastando água à torto e a direita é um pouco demais. O Urblog, a partir de hoje, vai flagrar as tias Neides que gastam água e tempo lavando o quintal nos bairros da cidade. Aguardem…



    29 de Agosto de 2008

    Porque em São Paulo tudo dá

    O compositor, violonista pianista e arranjador André Meneguetti é um dos que ajudam a fazer a trilha sonora da cidade de São Paulo. Neste momento, está em ação na estação Trianon-Masp do Metrô. Ao lado, um companheiro de música erudita que, muitas vezes, toca violoncelo com ele na região. E as pessoas passam, param, se animam, pedem o cartão, querem saber mais e registram o show com câmeras e celulares multifuncionais.

    Meneguetti garante que é possível sobreviver só de música no Brasil. No Brasil, não sabe exatamente. Mas em São Paulo dá. Tudo dá.



    Tiago Doria no rolê…Pela São Paulo de que ele mais gosta.



    Tiago Doria é jornalista, santista (em todos os sentidos) e consultor/estrategista de mídia amigo da tecnologia. Entre risadas e dicas (dele, claro!) sobre a blogoosfera, falou sobre os lugares que mais frequenta na cidade e localizou todos num mapa improvisado - é o guardanapo maps!



    Ceará vende churrasco nas ruas de São Paulo há 12 anos. Já perdeu quatro carrinhos para os fiscais da Prefeitura que teimam em tirar o ganha-pão que sustenta dois filhos. Maria, mulher de Ceará, vende milho há quatro anos, para ajudar no orçamento da casa.

    O casal está para lá de apreensivo com a nova portaria que promete multar os vendedores de alimentos e apreender as mercadorias nas ruas da cidade de São Paulo. Ceará já teve licença para trabalhar, mas na troca de administração da prefeitura, a licença foi cassada. Nas ruas de São Paulo ontem, os vendedores que tiveram coragem de sair para trabalhar eram só temor. “Disseram que o rapa vem aí”. Mas enquanto os fiscais não chegam, permanecem. Firmes e fortes.

    Os carrinhos de churrasco, milho, pipoca, churros e afins, tradicionais na cidade de São paulo - já fazem parte da paisagem da metrópole - estão, mais uma vez, proibidos.

    Ceará não se conforma: “Se eu não puder trabalhar, vou roubar, sinceramente. Foi com isso aqui que sustentei meus dois filhos. Não sei o que fazer”. A mulher, Maria (do milho), também já correu do rapa mais de uma vez. “Numa delas eu cai com o carrinho, quebrei o tamanco, foi um horror!” Subornar os fiscais, no entanto, jamais! “Imagina, eles já ganham salário. A gente não pode pagar para eles. O jeito é rezar para entrar um prefeito que legalize mais vendedores ou pare de cismar”, sonha a moça.

    esquina da Avenida Cruzeiro do Sul com a rua Gabriel Piza, Santana



    26 de Agosto de 2008

    Pica pau é su-ceeeeeesso!

    Ainda bem que José trabalha de pé. Sim, porque anda de um lado para o outro sem parar, agitadão. Quando vendia bolo e café nas ruas da cidade, chegava a ganhar R$ 700 por mês. Mas agora, vende bonecos do pica-pau de segunda à sexta. Ele mesmo faz o brinquedo, em sua casa, no Morro Doce, nos fins de semana. O pica-pau do José desce por um mastro – tipo um pau de sebo ou algo assim -, dando bicadas. E o artesão/vendedor/pai de família chega a ganhar até R$ 2 mil por mês. Pica-pau é muuuuuuuuuuito melhor do que bolo e café. As crianças, que nem assistem tanto mais ao desenho do pica-pau na TV, gostam da brincadeira e pedem. Por R$ 2, a mãe/pai/avó leva, né? Brinquedinho interessante… Urblog encontrou José no Largo Sta. Cecília. Mas ele nunca fica todo dia no mesmo lugar.



    25 de Agosto de 2008

    O gosto da dor e do (des)amor

    Casou apaixonada aos 26 anos. E virgem. “Era boba demais, daquele tipo velha e ingênua, sabe?â€
    Vera protagonizou uma história bastante comum no Brasil, com traição, rejeição e violência doméstica. Como tantas mulheres fazem, engoliu sapos e humilhações sem devolver, sem desejos de vingança. Resignou-se sem ao menos saber porquê. Tentou se matar, é verdade, mas desistiu por amor à filha. Descreve esse momento logo na abertura do vídeo-entrevista.

    Hoje, depois de perdoar e ganhar fôlego novo, já consegue contar a triste história sem chorar. Para aplacar a dor, se apegou ao trabalho – de manicure. A Urb-repórter, depois de xavecar bastante, conseguiu gravar a história de Vera, típica mulher brasileira, peito estufado, que tem orgulho da nobreza da própria alma, que mora pra lááaáá… No Morro Doce, à beira da rodovia Anhanguera.

    Vera nunca mais namorou firme de novo depois da decepção, da separação. Mas convive com o ex-marido, ex-algoz e com a atual mulher dele (a ex-amante) e com uma filha que o casal teve. Numa boa. “Ele queria era ficar com as duas, não?â€, pergunta a Urb-repórter. “Queria, ele me disse que sim. Eu faria comida, cuidaria da casa e das roupas. E ela seria para os momentos de sacanagem., Afinal, ele passou um ano casado comigo sem…â€. Não é fácil para uma mulher expor a própria intimidade assim, sem mais nem menos. Ainda mais quando essa intimidade tem a ver com humilhação, rejeição e traição. Quanto “ãoâ€. Afe! É… E perdão.

    A vingança veio meio do avesso para Vera. Com gosto de comida fria e sem sal. A filha do ex-marido a adora, ele foi sustentado por ela durante um ano antes da separação definitiva. É… Sem sal.

    Vera conta a história enquanto trabalha. E o vídeo tenta dar um pouco da dimensão da angústia da mulher que se anula e aceita viver pela metade por amor. Por resignação.



    25 de Agosto de 2008

    acetona, gasolina e esmalte

    Olha a clínica/salão/instituto de beleza da Zuleica, com divisórias verde-água, dentro de um estacionamento… Clientela garantida, pinças sempre afiadas.

    Ê Brasilzão criativo! Em São Paulo, se faz negócios em qualquer cantinho vazio.

     

     



    22 de Agosto de 2008

    Beleza no estacionamento

    Zuleica, 43 anos, é a dona da clínica de estética Lazer do Pé. E especialista em sombrancelhas. Mas ela não “faz sombrancelhas†não. Desenha. Fez o curso de design há sete anos e hoje, além de tatuar em quem não tem – drags e senhoras que tiraram tuuuuudo quando eram jovens e era moda manter super fina – ela ajeita as de quem sempre tirou de qualquer jeito, em casa mesmo, só para limpar o excesso.

    Há cerca de dois anos, Zu, que sempre trabalhou em salões e clínicas “dos outrosâ€, abriu um centro de estética. E realizou o sonho do negócio próprio. Tem umas cinco parceiras, entre podólogas, massagista, esteticista pedicures, manicures, depiladoras e cabeleireiras que trabalham lá também – algumas são mais de uma coisa dessas. O curioso disso tudo, no entanto, é que a clínica de Zu fica dentro de um estacionamento (?) na Rua do Bosque, na Barra Funda – número 1426.

    - Mas por que aqui, Zu? O aluguel é mais barato?

    Zu explica:
    - Antes era ruim porque tinha cheiro de carro e gás, barulho demais aqui. Mas eu fechei nosso espaço até o teto e agora a gente tem mais privacidade. Ficou ótimo. Eu não saio daqui. É perfeito porque: passa tanta gente dia todo que nunca falta cliente. Estou ao lado de várias empresas, alem de uma emissora de TV, dois fóruns – o Trabalhista e o Criminal. E como a pessoa deixa o carro aqui, de repente aproveita para fazer mais alguma coisa. Para mim está maravilhoso!

    Já que estética no estacionamento é inusitado mesmo e desenhar sombrancelhas também não é láááá tão comum, o Urblog testa novas fórmulas e ângulos de gravar entrevistas em vídeos.

    A seguir, Zuleica dá entrevista em ação, enquanto trabalha na sobrancelha da repórter, que passou o tempo todo deitada numa maca. Por isso, não pôde ver o tempo todo o que estava gravando. O resultado é curioso, combina com o local inusitado.
    A câmera do N95 ficou em várias posições: sobre o peito, sobre o ombro, numa das mãos, enfim… Confiram: