O gosto da dor e do (des)amor
Casou apaixonada aos 26 anos. E virgem. “Era boba demais, daquele tipo velha e ingênua, sabe?â€
Vera protagonizou uma história bastante comum no Brasil, com traição, rejeição e violência doméstica. Como tantas mulheres fazem, engoliu sapos e humilhações sem devolver, sem desejos de vingança. Resignou-se sem ao menos saber porquê. Tentou se matar, é verdade, mas desistiu por amor à filha. Descreve esse momento logo na abertura do vÃdeo-entrevista.
Hoje, depois de perdoar e ganhar fôlego novo, já consegue contar a triste história sem chorar. Para aplacar a dor, se apegou ao trabalho – de manicure. A Urb-repórter, depois de xavecar bastante, conseguiu gravar a história de Vera, tÃpica mulher brasileira, peito estufado, que tem orgulho da nobreza da própria alma, que mora pra lááaáá… No Morro Doce, à beira da rodovia Anhanguera.
Vera nunca mais namorou firme de novo depois da decepção, da separação. Mas convive com o ex-marido, ex-algoz e com a atual mulher dele (a ex-amante) e com uma filha que o casal teve. Numa boa. “Ele queria era ficar com as duas, não?â€, pergunta a Urb-repórter. “Queria, ele me disse que sim. Eu faria comida, cuidaria da casa e das roupas. E ela seria para os momentos de sacanagem., Afinal, ele passou um ano casado comigo sem…â€. Não é fácil para uma mulher expor a própria intimidade assim, sem mais nem menos. Ainda mais quando essa intimidade tem a ver com humilhação, rejeição e traição. Quanto “ãoâ€. Afe! É… E perdão.
A vingança veio meio do avesso para Vera. Com gosto de comida fria e sem sal. A filha do ex-marido a adora, ele foi sustentado por ela durante um ano antes da separação definitiva. É… Sem sal.
Vera conta a história enquanto trabalha. E o vÃdeo tenta dar um pouco da dimensão da angústia da mulher que se anula e aceita viver pela metade por amor. Por resignação.

25 de Agosto de 2008
Rodriguiano, a vida como ela é… Muito legal o blog, bela foto. O pastificio aguarda sua visita…