Juliana Vilas

Juliana Vilas, 29, codinome "Pássara", é repórter. Do tipo que gosta de "medir ruas" e ouvir histórias de gente de todos os tipos. Paulistana da zona norte, já morou em vários becos da cidade: Santana, Tremembé, Jaçanã, Tatuapé, Paraíso, Água Branca, Aclimação, Paulista e Bela Vista. É uma espécie de garimpeira urbana de "causos", com ou sem finais felizes.



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  • Ceará vende churrasco nas ruas de São Paulo há 12 anos. Já perdeu quatro carrinhos para os fiscais da Prefeitura que teimam em tirar o ganha-pão que sustenta dois filhos. Maria, mulher de Ceará, vende milho há quatro anos, para ajudar no orçamento da casa.

    O casal está para lá de apreensivo com a nova portaria que promete multar os vendedores de alimentos e apreender as mercadorias nas ruas da cidade de São Paulo. Ceará já teve licença para trabalhar, mas na troca de administração da prefeitura, a licença foi cassada. Nas ruas de São Paulo ontem, os vendedores que tiveram coragem de sair para trabalhar eram só temor. “Disseram que o rapa vem aí”. Mas enquanto os fiscais não chegam, permanecem. Firmes e fortes.

    Os carrinhos de churrasco, milho, pipoca, churros e afins, tradicionais na cidade de São paulo - já fazem parte da paisagem da metrópole - estão, mais uma vez, proibidos.

    Ceará não se conforma: “Se eu não puder trabalhar, vou roubar, sinceramente. Foi com isso aqui que sustentei meus dois filhos. Não sei o que fazer”. A mulher, Maria (do milho), também já correu do rapa mais de uma vez. “Numa delas eu cai com o carrinho, quebrei o tamanco, foi um horror!” Subornar os fiscais, no entanto, jamais! “Imagina, eles já ganham salário. A gente não pode pagar para eles. O jeito é rezar para entrar um prefeito que legalize mais vendedores ou pare de cismar”, sonha a moça.

    esquina da Avenida Cruzeiro do Sul com a rua Gabriel Piza, Santana

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