Se o rapa vier, a gente corre - de novo!
Ceará vende churrasco nas ruas de São Paulo há 12 anos. Já perdeu quatro carrinhos para os fiscais da Prefeitura que teimam em tirar o ganha-pão que sustenta dois filhos. Maria, mulher de Ceará, vende milho há quatro anos, para ajudar no orçamento da casa.
O casal está para lá de apreensivo com a nova portaria que promete multar os vendedores de alimentos e apreender as mercadorias nas ruas da cidade de São Paulo. Ceará já teve licença para trabalhar, mas na troca de administração da prefeitura, a licença foi cassada. Nas ruas de São Paulo ontem, os vendedores que tiveram coragem de sair para trabalhar eram só temor. “Disseram que o rapa vem aÔ. Mas enquanto os fiscais não chegam, permanecem. Firmes e fortes.
Os carrinhos de churrasco, milho, pipoca, churros e afins, tradicionais na cidade de São paulo - já fazem parte da paisagem da metrópole - estão, mais uma vez, proibidos.
Ceará não se conforma: “Se eu não puder trabalhar, vou roubar, sinceramente. Foi com isso aqui que sustentei meus dois filhos. Não sei o que fazer”. A mulher, Maria (do milho), também já correu do rapa mais de uma vez. “Numa delas eu cai com o carrinho, quebrei o tamanco, foi um horror!” Subornar os fiscais, no entanto, jamais! “Imagina, eles já ganham salário. A gente não pode pagar para eles. O jeito é rezar para entrar um prefeito que legalize mais vendedores ou pare de cismar”, sonha a moça.

esquina da Avenida Cruzeiro do Sul com a rua Gabriel Piza, Santana
