Juliana Vilas

Juliana Vilas, 29, codinome "Pássara", é jornalista. Mas gosta mesmo é de "medir ruas" e ouvir histórias de gente de todos os tipos. Paulistana da zona norte, morou um ano e meio no Rio de Janeiro e, apesar da agradável maresia, sofria de saudade do doce ar da paulicéia. Jamais se recusa a conhecer lugares novos e/ou inusitados, seja para comer, dançar, transar ou fazer qualquer coisa. Como pega amizade fácil em elevadores, metrôs, trens e até no ponto de ônibus, é uma espécie de garimpeira urbana das histórias cotidianas da metrópole.



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  • 30 de Setembro de 2008

    O buraco da discórdia

    Ela jamais esquece daquele fatídico 12 de janeiro. “Esqueço meu aniversário, mas dessa data nãoâ€, garante. Ao estrondo gigante, seguiu-se um fordúncio que durou vários e vários dias. Aquele 12 de janeiro de 2007 foi o dia em que São Paulo parou porque - praticamente do nada - abriu-se uma cratera no chão. O buraco engoliu pessoas, casas… enfim… Causou muito transtorno. E mais de um ano depois, ainda causa. Ao lado do que um dia pode vir a ser a estação Pinheiros do Metrô, onde surgiu a cratera, de costas para a avenida Nações Unidas, está a casa de Carolina. Uma casa enorme, diga-se, que os avós dela compraram para garantir o futuro da neta. Carol é bacharel em Direito, mas preferiu ganhar mais usando a enorme garagem da casa como estacionamento. Percebeu que, naquela região, a maioria dos funcionários das empresas vai trabalhar de carro, mas não tem onde deixar o meio de transporte durante o expediente – coisa super comum em SP. Não por acaso, o negócio estava indo muito bem, rendia R$ 12 mil por mês – “R$ 6 mil para mim, R$ 6 para eleâ€, explica Carol apontando para o sócio. Pior sorte não poderia ter a dupla. Há 20 dias, um Oficial de Justiça chegou lá com uma intimação. Avisou que, por conta da maldita cratera, o consórcio responsável pela construção do metrô naquele trecho (Linha Amarela) vai demolir todo o quarteirão. Mas a Prefeitura vai pagar pelos imóveis, claro. Quanto? R$ 320 mil. Nãããão. Carolina pediu para uma corretora avaliar e ficou possessa: vale R$ 900 mil. Sacanagem! Sem choro nem vela amanhã, dia 01/10, às 9h, a Prefeitura vai lá tomar a casa, o estacionamento, tudo. Paga 80% do valor agora e o restante não sei quando. Carol comprou outra casa – “bem menor e em lugar pior, na Vila Colomboâ€, lamenta. Nascida e criada em Pinheiros, a moça queria mesmo ficar ali, onde já conhece todo mundo e todo mundo a conhece, ganhando seu pão sem pegar congestionamento. Se não fosse a maldita cratera…



    29 de Setembro de 2008

    Correr, gozar… Pagar

    Como está na moda mapear e acessar mapas para tudo, tem muita gente solidária ajudando os amiguinhos em São Paulo. Bonito isso. A primeira boa ação é o Maparadar, com a localização exata de (quase) todos os “inimigos†dos motoristas apressados da cidade. No link, ainda é possível incluir mais radares encontrados por aí. Se você é uma vítima da baixa velocidade forçada, dê sua contribuição também. Assim cada vez menos gente corre no lugar errado e fica no prejuízo. A segunda contribuição para elevar a qualidade de vida na metrópole é ainda menos politicamente correta, mas me pareceu bem útil para muita gente. No mínimo, divertido antropológico. É o mapa do sexo pago na cidade. O melhor: além da localização das “casas da luz vermelha†modernas, o mapa traz ainda os preços dos serviços. Analisando valores e localização das profissionais, nota-se que São Paulo é muito democrática mesmo. Tem qualquer coisa para todos os gostos e bolsos. É de matar de inveja a mais libidinosa e diversa megalópole do mundo. Fantastic!

    Vi no Gizmodo, por sugestão do Gui Bryan, do Clipe-se.


    Exibir mapa ampliado



    26 de Setembro de 2008

    Bichos de plástico não mordem

    Ah, o Bento. É um amigo das crianças típico, que ganha a vida a vender cães, ratos e outros bichos coloridos de látex (a popular bexiga). O dono da careca lustrosa circula pelo centro usando roupas de cores chamativas e também pode ser contratado para decorar e animar festas. Cada bichinho - que ele faz em 5 segundos – custa R$ 0,80. Todo mundo paga R$ 1 e ninguém pede o troco. De grão em grão…



    25 de Setembro de 2008

    Magrela gigante e rodada

    O matogrossense Antonio Luiz Melo, de camiseta amarela, óculos de sol e capacete, viajou 10 dias com essa bike estranha – diz, né? Deve ser verdade mesmo. A julgar pelos calos muito salientes das mãos, que notei no final da conversa, quando me despedi. Quer mesmo entrar para o Guiness Book. E ir no Domingão do Faustão participar do “se vira nos 30â€. O rapaz saiu de Bela Vista, divisa do Brasil com o Paraguai, e andou 1.800 km até São Paulo. O diferencial da bici é que ele mesmo fabricou e a magrela faz manobras radicais…
    Agora Antônio está no meio do Vale do Anhangabaú pedindo ajuda para terminar de fazer um tal “arco†que possibilita o 360 graus, a principal manobra do show. Depois, diz que vai sair pelo litoral do Brasil pedalando.

    Logo que chegou à Paulicéia, acampou na Raposo Tavares. Depois, no centro, arrumou um amigo, que o levou para um albergue, onde reside agora.



    24 de Setembro de 2008

    Sucatarte

    Seu Marino é uma figura tão rara que merece vários vídeos. No “Atelier da Alegriaâ€, estão expostas as obras de autoria desse ex-funileiro que já construiu carros alegóricos e agora se dedica ao ofício de transformar lixo em arte. na mão dele sucata vira objetos muito criativos. É até difícil de explicar. Só vendo mesmo…



    23 de Setembro de 2008

    “Por ser de lá…”

    Urblog invadiu uma oficina de costura no Cambuci. Rosana, a costureira-chefe, chegou do Ceará há dois anos. “Deu a louca, peguei minha filha, larguei tudo lá e vimâ€, explica. Em off: ela desconfiou que o marido a traía e não pensou duas vezes: fugiu para São Paulo sem deixar nem bilhete para o “hômiâ€. Só que não gosta de morar na selva de concreto e aço. Quase não sai, quase não tem amigos, quase que não consegue ficar na cidade sem viver contrariada…(parafraseando o ex-ministro da Cultura). Sente saudade da terra natal. Lá, conta que se divertia na praia e no forró. Aqui, não sai do Cambuci. Passa o dia todo atrás da máquina de costura (montou a pequena oficina num cômodo da casa onde mora) e só sai para levar e buscar a filha de dois anos na escola. Rosana aprendeu o ofício aos 20 anos - há 20 anos. Chegou aqui disposta a criar a filha sozinha e sobreviver. Trouxe uma máquina e, no boca-a-boca, ficou conhecida na região. Passou a pegar grandes encomendas de atacado, financiou mais três máquinas e “contratou†mais três costureiras para dar conta de tanto serviço. A irmã mais nova, Nova, veio atrás e chegou há três meses. Ajuda na oficina. A principal cliente de Rosana é a Xero Produções, também no Cambuci, empresa de marketing que produz uniformes promocionais para eventos e terceiriza a confecção das peças.

    Bem no estilo sou-insatisfeita-mesmo-e-daí?, Rosana reclama que São Paulo, para ela, é “trabalho, trabalho, trabalhoâ€. Mas faz questão de alguns luxos. Anda muito bem vestida, mora numa casa confortável, recusa ajuda financeira (pensão) do ex-marido e mantém a filha em bom colégio particular. Se tivesse estudado, seria advogada. Acha que vida seria bem melhor. Será? Notem, no vídeo, que Rosana não estava muito a fim de dar entrevista. Responde às perguntas de modo contrariado e, no final, já muda de assunto, ignora… Bom humor, de fato, não é o forte dela, como confirma a cliente Thais, que estava lá e participou da conversa. Deve sofrer de banzo. E, por outro lado, Rosana é muito competente no que faz. E, afinal, bom humor e otimismo não pagam contas mesmo. Se bem que dão um “bom coloridinho†na vida, né?



    22 de Setembro de 2008

    Imagem de canto

    Um dos lugares sugeridos pela leitora Paula na série “Mande o Urblog para†foi o Mosteiro São Bento. Fui até lá no domingo, ontem, porque sabia que poderia conferir um espetáculo que costuma atrair pessoas do Brasil todo: as missas com canto gregoriano. Entoado pelos monges da Ordem São Bento. Para minha (quase) decepção completa, não podia entrar com celulares ou câmeras no interior daquela portentosa (e meio dark, meio tétrica, estilo Notre Dame) igreja. Ou mosteiro. Bom, já notaram que a blogueira não é lá muito ortodoxa, não é? E gravou tudo com o N95 escondido no bolso. Tive que disfarçar muito para fugir do atento olhar dos seguranças. O mais importante nesses vídeos, caros leitores, é, claro, o som – o canto gregoriano. Em latim, lógico. Para quem não está habituado, lembra o som do Enigma ou ainda a Era e a música Ameno. Sucessos dos anos 90.

    Leitores, devo alertá-los sobre a qualidade (esquisita, dividosa?) do vídeo, já que a câmera ficou (quase) o tempo todo em locais estranhos, equisitos e duvidosos.

    Serviço:
    Mosteiro de São Bento
    Largo São Bento, s/nº
    Entrada franca
    Metrô São Bento
    Site: www.mosteiro.org.br





    Quem mandar imagens de banheiros da cidade de São Paulo ganha ingresso para ver a peça “Monólogos da vaginaâ€, no Teatro Gazeta, até dia 23 de novembro. São 10 pares. 10 pares = 10 lavabos. Lembrando da classificação dos banheiros:

    1) Número 1 e 2 com tranqüilidade e sossego

    2) Número 1 OK; e 2 só em situações de urgência máxima

    3) Número 1 com tranqüilidade

    4) Só para o número 1 em situação de urgência - e sem encostar em nada

    E como a inspiração é teatro + sanitários, mais uma contribuição para a Série “Banheiros da Paulicéiaâ€:

    No Edifício Itália – sim, aquele da vista famoooooosa, uma das melhores da cidade – tem um Teatro de Dança, com espetáculos muito bons a R$ 4. No térreo. E se antes só era possível curtir a vista do alto do prédio quem estivesse (ou fosse) ao restaurante do Terraço Itália, hoje isso mudou. Quem estiver por ali de segunda a sexta entre 15h e 16h (só mais nada!) pode subir e apreciar a Paulicéia do alto sem comprar nem um copo d’água no restaurante – que, aliás, não pode ser chamado de “acessívelâ€, né? Ontem, domingo, fui ao edifício. Não subi no Terraço, mas conferi o banheiro do teatro de dança e achei bom, viu? A classificação é nível 1 + amplo + limpo + com papel + chão vintage. Há dois banheiros na parte feminina – e nunca estão lotados (só no fim do espetáculo, claro). Mas em caso de “número 2 aqui e agoraâ€, vá no meio da apresentação. Ou se estiver passando pela Ipiranga, enfim…

    E confira, logo mais: imagens ROUBADAS dentro do Mosteiro São Bento - celulares e câmeras não entram - durante canto gregoriano! Você (leitora Paula) pediu, Urblog foi!



    19 de Setembro de 2008

    Gosto de cidade pequena

    Ele faz parte de uma família de pamonheiros espalhada por todo o Brasil. E já chegou a vender 400 unidades num (inesquecível) dia só. “Mas isso foi no Rio de Janeiro, há 10 anos”, lembra. Primeiro usava uma Variant, depois trocou por uma Brasília amarela. Antes, usava o auto-falantes para anunciar os produtos: pamonha, cural, bolo de milho e tapioca. Este ano, pagou R$ 100 para um locutor gravar o texto que anuncia os produtos sobre a trilha sonora do momento: funk carioca. Desde 1983, passa cerca de 10 horas por dia dirigindo pelas ruas e atendendo a clientela. Nos últimos anos, no entanto, as vendas caíram. “Tem muito vendedor de pamonha ruim por aí. Isso atrapalhou. Pamonha boa é peneirada. Não tem aqueles pedaços de sabugo no meio”, observa. Mora na Penha, mas gosta mesmo é de trabalhar na Lapa. No verão, troca pamonha, bolo e tapioca por sorvetes. “Sorvete na Lapa é sucesso!” Aos 46 anos, diz que tem ouvidos cansados de ouvir música alta o dia todo. E o gogó já não agüenta mais anunciar – por isso lançou mão da mensagem gravada. “pamonha, pamonha, pamonhaa”. Só que não é de Piracicaba, é de São Paulo mesmo. A mulher e a prima fazem em casa e ele sai para vender às 7 da manhã. E assim criou três filhos que hoje “têm emprego em firma” e já nem precisam ajudar a vender os quitutes e sorvetes. “Pouquíssimas pessoas reclamam do som alto. Acho que eu me irrito mais do que os clientes e moradores da cidade. Alguns fregueses até dançam quando eu chego, ficam bem animados. Nas ruas deste bairro, passo às segundas e quintas, e o pessoal já sabe”.

    A blogueira encontrou Inocêncio e a Brasília amarela na Rua Paulo de Avelar, altura do 453, na Parada Inglesa.


    Exibir mapa ampliado



    19 de Setembro de 2008

    Mande o Urblog para…II

    Mais duas sugestões de lugares para o Urblog ir:

    1) “Pico do Jaraguá, Zoológico, Jardim Botânico e Simba Safari (se é que ainda existe)†– por Maria Tereza

    2) Aldeia Crucutu – sugestão de Gisele Brito: “Fica lá no fim do mundo. No bairro Barragem, extremo sul. Nessa Aldeia vivem uma comunidade indigena. Eles falam em guarani e tudo e tem uns indiozinhos loirosâ€.

    Meninas, por favor, mandem os endereços para enviaremos os pares de ingressos, ok?

    Querida leitora Paula: você se incomodaria se a blogueira visitasse o Mosteiro de São Bento e o Pátio do Colégio, conforme você sugeriu, no domingo? É que, nesse dia da semana, rola o famoso canto gregoriano. Na quinta não tem nada de especial. Fui até lá ontem e notei isso: que seria beeem melhor ir no domingo. Aliás, avaliando as sugestões enviadas pelas leitoras (genteee, só mulher lê esse blog?), pensei que a promoção “Mande o Urblog para…†cai bem melhor aos fins de semana. Os caros leitores se importam se, por força das circunstâncias, a blogueira se jogar nos locais sugeridos não mais às quintas-feiras?

    Mosteiro de S. Bento:
    Domingo - 10h - Canto Gregoriano e Órgão – ainda rola café-da-manhã bacanão depois!
    Domingo - 16h55h - Canto Gregoriano e Órgão

    Então, retificando o cronograma:

    - dia 21/9 – domingo: Mosteiro de S. Bento + Pátio do Colégio (Paula)

    - dia 28/9 – Represa de Guarapiranga (Lili Ferrai)

    - dia 04 ou 05/10 – Jd. Zoológico e/ou Simba Safári (Maria Tereza)

    - dia 11/10 e/ou 12/10 – Aldeia Crucutu (Gisele Brito)

    E a promoção continua. Lembraram de algum lugar, personagem ou afim? Enviem. Se encontrarem os banheiros – fétidos ou não -, participem também!