Juliana Vilas

Juliana Vilas, 29, codinome "Pássara", é repórter. Do tipo que gosta de "medir ruas" e ouvir histórias de gente de todos os tipos. Paulistana da zona norte, já morou em vários becos da cidade: Santana, Tremembé, Jaçanã, Tatuapé, Paraíso, Água Branca, Aclimação, Paulista e Bela Vista. É uma espécie de garimpeira urbana de "causos", com ou sem finais felizes.



  • Vida Pechincha
  • Sampa meu Lugar
  • SP-Paris


  • 23 de Setembro de 2008

    “Por ser de lá…”

    Urblog invadiu uma oficina de costura no Cambuci. Rosana, a costureira-chefe, chegou do Ceará há dois anos. “Deu a louca, peguei minha filha, larguei tudo lá e vimâ€, explica. Em off: ela desconfiou que o marido a traía e não pensou duas vezes: fugiu para São Paulo sem deixar nem bilhete para o “hômiâ€. Só que não gosta de morar na selva de concreto e aço. Quase não sai, quase não tem amigos, quase que não consegue ficar na cidade sem viver contrariada…(parafraseando o ex-ministro da Cultura). Sente saudade da terra natal. Lá, conta que se divertia na praia e no forró. Aqui, não sai do Cambuci. Passa o dia todo atrás da máquina de costura (montou a pequena oficina num cômodo da casa onde mora) e só sai para levar e buscar a filha de dois anos na escola. Rosana aprendeu o ofício aos 20 anos - há 20 anos. Chegou aqui disposta a criar a filha sozinha e sobreviver. Trouxe uma máquina e, no boca-a-boca, ficou conhecida na região. Passou a pegar grandes encomendas de atacado, financiou mais três máquinas e “contratou†mais três costureiras para dar conta de tanto serviço. A irmã mais nova, Nova, veio atrás e chegou há três meses. Ajuda na oficina. A principal cliente de Rosana é a Xero Produções, também no Cambuci, empresa de marketing que produz uniformes promocionais para eventos e terceiriza a confecção das peças.

    Bem no estilo sou-insatisfeita-mesmo-e-daí?, Rosana reclama que São Paulo, para ela, é “trabalho, trabalho, trabalhoâ€. Mas faz questão de alguns luxos. Anda muito bem vestida, mora numa casa confortável, recusa ajuda financeira (pensão) do ex-marido e mantém a filha em bom colégio particular. Se tivesse estudado, seria advogada. Acha que vida seria bem melhor. Será? Notem, no vídeo, que Rosana não estava muito a fim de dar entrevista. Responde às perguntas de modo contrariado e, no final, já muda de assunto, ignora… Bom humor, de fato, não é o forte dela, como confirma a cliente Thais, que estava lá e participou da conversa. Deve sofrer de banzo. E, por outro lado, Rosana é muito competente no que faz. E, afinal, bom humor e otimismo não pagam contas mesmo. Se bem que dão um “bom coloridinho†na vida, né?

    •   





    comentários dos leitores (0)

    envie seu comentário



    Nome:             

    E-mail:            

    Site:                

    Comentário: