“Por ser de lá…”
Urblog invadiu uma oficina de costura no Cambuci. Rosana, a costureira-chefe, chegou do Ceará há dois anos. “Deu a louca, peguei minha filha, larguei tudo lá e vimâ€, explica. Em off: ela desconfiou que o marido a traÃa e não pensou duas vezes: fugiu para São Paulo sem deixar nem bilhete para o “hômiâ€. Só que não gosta de morar na selva de concreto e aço. Quase não sai, quase não tem amigos, quase que não consegue ficar na cidade sem viver contrariada…(parafraseando o ex-ministro da Cultura). Sente saudade da terra natal. Lá, conta que se divertia na praia e no forró. Aqui, não sai do Cambuci. Passa o dia todo atrás da máquina de costura (montou a pequena oficina num cômodo da casa onde mora) e só sai para levar e buscar a filha de dois anos na escola. Rosana aprendeu o ofÃcio aos 20 anos - há 20 anos. Chegou aqui disposta a criar a filha sozinha e sobreviver. Trouxe uma máquina e, no boca-a-boca, ficou conhecida na região. Passou a pegar grandes encomendas de atacado, financiou mais três máquinas e “contratou†mais três costureiras para dar conta de tanto serviço. A irmã mais nova, Nova, veio atrás e chegou há três meses. Ajuda na oficina. A principal cliente de Rosana é a Xero Produções, também no Cambuci, empresa de marketing que produz uniformes promocionais para eventos e terceiriza a confecção das peças.
Bem no estilo sou-insatisfeita-mesmo-e-daÃ?, Rosana reclama que São Paulo, para ela, é “trabalho, trabalho, trabalhoâ€. Mas faz questão de alguns luxos. Anda muito bem vestida, mora numa casa confortável, recusa ajuda financeira (pensão) do ex-marido e mantém a filha em bom colégio particular. Se tivesse estudado, seria advogada. Acha que vida seria bem melhor. Será? Notem, no vÃdeo, que Rosana não estava muito a fim de dar entrevista. Responde à s perguntas de modo contrariado e, no final, já muda de assunto, ignora… Bom humor, de fato, não é o forte dela, como confirma a cliente Thais, que estava lá e participou da conversa. Deve sofrer de banzo. E, por outro lado, Rosana é muito competente no que faz. E, afinal, bom humor e otimismo não pagam contas mesmo. Se bem que dão um “bom coloridinho†na vida, né?
