Juliana Vilas

Juliana Vilas, 29, codinome "Pássara", é repórter. Do tipo que gosta de "medir ruas" e ouvir histórias de gente de todos os tipos. Paulistana da zona norte, já morou em vários becos da cidade: Santana, Tremembé, Jaçanã, Tatuapé, Paraíso, Água Branca, Aclimação, Paulista e Bela Vista. É uma espécie de garimpeira urbana de "causos", com ou sem finais felizes.



  • Vida Pechincha
  • Sampa meu Lugar
  • SP-Paris


  • 18 de Setembro de 2008

    Mendigo não!

    A senhora com jeito de andarilha estava sentada na mureta. Na volta, continuava lá, mexendo nuns sacos cheios de coisas. No canteiro que divide as duas pistas do viaduto Pacaembu, próximo dali, estava uma funcionária da Prefeitura com camiseta e jaqueta azul Royal – “São Paulo protege – Ligue 156â€. Rosa, quase 35, seios fartos daqueles que juntam com barriga e cintura e formam uma coisa só antes das pernas, não quis foto nem vídeo. Mas falou sobre sua atuação. “Eu vim atender uma denúncia de trabalho infantil. Disseram que tinha criança panfletando aqui, mas hoje devem ter fugidoâ€. Intrigada, olha para a tal senhora na mureta do outro lado enquanto fala.
    - Vocês recolhem quem está na rua, né? E aquela senhora ali, sabe dela? – pergunto.
    “Vou lá abordá-la agora, mas parece que tem confusão mental, o que dificulta ainda mais o trabalho. A gente fiscaliza trabalho e abuso sexual infantil e leva os moradores de rua para os albergues. Mas é preciso ter boa lábia e persuadi-los. A maioria não quer sair das ruasâ€, explica. Pergunto se posso acompanhá-la na abordagem. Não, claro.
    - Então vou ficar olhando de longe.
    Ok. Rosa atravessa e vai falar com a velhota.

    Sempre que um cidadão se recusa a acompanhar o pessoal da prefeitura, deve assinar um termo – isentando o poder público de responsabilidade e dizendo algo do tipo “bem que tentamos†e tal. Como a velhinha não quis ir, Rosa foi buscar o documento na Kombi, logo ali. Nesse ínterim, a velhota levantou e saiu, fugida mesmo, tentando atravessar o farol aberto – para carros. Como a blogueira não ouviu a conversa, seguiu a velhota no meio dos automóveis. Primeiro foi ignorada. E depois levou uma invertida da tia. Então tá, né?

    É… Ela disse: “sai daqui muié!â€
    E Rosa, quando voltou à mureta, ficou no vácuo. “Ela disse que veio de Campinas, que não precisava nos acompanhar porque mora numa favela ali ao lado do Corpo de Bombeiros (aponta para o lado da Pompéia). Tem Bombeiro ali? Enfim… Quando fui buscar esse termo, que ela deveria assinar ou colocar a digital, fugiu. Tudo bem, tenho outro chamado e já vouâ€
    - Então vocês atendem chamados de moradores da cidade dizendo coisas do tipo: tem um mendigo aqui na minha porta…
    “Mendigo não, a gente não usa essa palavra. É pessoa em situação de rua. Para não criar estigma, né? Mas é isso mesmo: as pessoas denunciam e a gente vai até o local. Muitas vezes, o morador de rua veio de outra cidade e não têm dinheiro para voltar. A Prefeitura paga a passagem, nesses casos. Mas, como eu disse, a maioria não quer ir conosco, nem no frioâ€
    - E qual foi o caso mais bizarro que você já viu? – questiono
    “ O de um rapaz de 26 anos, alto, moreno, bonito, que tinha profissão, estudo e morava na porta da casa do pai. Viciado em bebidaâ€.
    - Mas o pai o expulsou de casa?
    “Não, o pai internou o filho seis vezes, não adiantou. Ele caia bêbado na porta mesmo e andava jogado pelas ruas, cheguei e vê-lo em vários pontos da cidade. E, você vê, não precisava, né?â€, lamenta Rosa, antes de se despedir e entrar na Kombi para mais uma missão.

    Entre aqui para conferir o Programa Cidade Limpa. Não, SP recolhe. Não SP Protege:

    Na esquina da avenida Marquês de São Vicente e Viaduto Pacaembu.


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    17 de Setembro de 2008

    Do centrão para a Guarapiranga

    As leitoras Liliane Ferrari e Paula escolheram os lugares em que a blogueira vai…

    - …amanhã (quinta 18): Paula escolheu: “Pátio São Paulo e em seguida, uma passadinha no Mosteiro São Bento.†– Pátio do Colégio, né? Estarei lá amanhã. E você ganhou um par de ingressos para ver a peça Querido Mundo

    - Dia 25, quinta da próxima semana: Represa de Guarapiranga, local sugerido por Lili Ferrari.

     

    Queridas leitoras: por favor, mandem um e-mail com seus endereços para urblogepocasp@gmail.com com cópia para julianavilas@gmail.com. Assim, enviaremos os ingressos via correio para vocês, ok?  

     

    E a votação não pára, gente! Sugeriu lugar para o Urblog explorar, ganhou o par de ingressos.

      



    16 de Setembro de 2008

    Quem te viu…

    Ontem, a desativação do Complexo Penitenciário do Carandiru completou seis anos, depois de funcionar por quase 46 e acumular toda a sorte de histórias de terror. Os pavilhões foram implodidos e, hoje, naquele espaço gigante no meio do caos urbano, está o Parque da Juventude. Lotado de crianças, bicicletas, vendedores de sorvetes e jovens esportistas. Sobrou, na parte de trás, só uma ala que abriga uma penitenciária menor. Bom… Além dos jardins bucólicos, há também um rio no meio do parque. Imundo, diga-se…


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    15 de Setembro de 2008

    Mande o Urblog para…

    Todas as quintas-feiras, o Urblog vai a algum lugar escolhido pelos internautas/leitores. Que local você acha que o Urblog deveria explorar? Escolha um bairro, uma rua, uma região ou afim que tenha algo interessante ou que simplesmente seja desconhecido para você. E como conselho bom é pago, nesta primeira edição da série “Mande o Urblog para”, a ÉpocaSP vai presentear os quatro primeiros “eleitores virtuais†com um par de ingressos para ver a peça  Querido Mundo.  Então, as quatro primeiras sugestões de lugares para eu visitar na quinta serão premiados. Dessa lista de quatro sugestões, vamos escolher as duas melhores na quarta 17 (com a participação dos leitores de novo, claro) para ir na quinta 18/09 e na quinta 25/09. Dou-lhe uma, dou-lhe duas… Vaaaaaaaa-leeeendo! 



    15 de Setembro de 2008

    Amo/odeio SP com Jairo Bouer

    O “quê†paulistano no sotaque do psiquiatra Jairo Bouer denuncia: foi criado na Paulicéia. Com o passar do tempo, no entanto, ficou um pouco demais para ele viver no meio do caos. Enamorou-se de Florianópolis – compreensível - e comprou uma casa lá. Agora, vive meio na selva (de concreto) meio na ilha (da magia). Booooooa, dr! Ainda assim, Jairo ainda acha que Sampa é a melhor cidade que conhece. E conta, no vídeo, o que mais ama e odeia em SP. E, claro, qual é a SP dele…



    Para muitos jovens, decidir antes dos 20 anos de idade a carreira que vão seguir pelo resto da vida – ou não – é tarefa hercúlea que gera dilemas, dúvidas e muita angústia. Hoje, alguns desses pós-adolescentes à beira de um ataque de nervos foram ao primeiro dia da Feira do Estudante, evento gratuito de orientação vocacional realizado no ExpocenterNorte. Ali, assistiram às palestras com profissionais de diversas áreas, participaram de atividades lúdico-educativas, conheceram as milhares de opções de faculdades particulares e cursos. E também aproveitaram para namorar, tricotar, paquerar, zoar, comer e… cochilar. Os estandes oferecem brindes, bexigas e folders - muitos folders.

    Mas para a maioria dos jovens pré-universitários, o que importa mesmo é o passeio. Em grupo, saem dos bairros e de cidades da grande São Paulo, pegam o trem, o metrô, uma festa…


    cochilo

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    Regiane, do Demo, questiona: “o Stand Center – o paraíso dos eletrônicos e da pirataria, que funcionou durante anos e anos na Avenida Paulista - fechou para sempre, né? O Promocenter, na Augusta, também. Aí reabriram do outro lado da Augusta, perto da Galeria Ouro Fino. Depois não vi mais e outro dia fui num em outro ponto da Paulista. Pode investigar onde estão os amados orientais e publicar no Urblog?â€

    Pedido feito. Pedido aceito. Urblog foi conferir onde estão nossos queridos orientais sacoleiros empresários que vendem todo tipo de bugiganga útil – ou não - em estandes espremidos na galeria compriiiiiiida e cheia de corredores.

    Fecharam o Promocenter para sempre mesmo, Stand Center idem. E todos os vendedores e exportadores foram para outro ponto na Paulista mesmo, entre as alamedas Pamplona e Campinas - sentido Consolação. Uma placa amarelona e um box de sorvete de massa na porta dão a brecha. Ao entrar, tentei gravar um vídeo, mas alguns olhares de reprovação me intimidaram. Deu para provar que é lá mesmo que você vai comprar sua próxima parafernália eletrônica em cash. Os balcões coloridos e lotados de coisas não negam. Espero que o prefeito não feche a galeria. Consegui uma foto do stand mais simpático, o 34, onde trabalha a balconista Joyce, que concede descontos bem convidativos sem perguntar para a chefe se pode.

    A dona da lojinha (oriental, claro) mal fala português (claro também; só quando o assunto interessa). E saca os produtos de dentro daquelas malas de viagens de tecido grosso que há cerca de 20 anos ou mais o pessoal usava para trazer bugigangas do Paraguai e vender aqui (virou moda essa modalidade de negócio mna periferia da cidade. Ainda é?). Fotografei Joyce e a chefe. Se acontecer alguma coisa com a galeria, com a lojinha delas e com a blogueira, já sabem: foi a máfia chinesa! Já vou até avisar os meus entes queridos sobre isso.


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    A chefa



    Conforme prometido: O Urblog está à caça das mulheres que lavam quintal e calçada com mangueiras. Achamos uma.

    Vilma, dona de casa, se preocupa em economizar o líquido sagrado na hora de deixar tudo bem limpinho. Mas só para não pesar no bolso. A cada quinze dias, esfrega (varre) com sabão e depois enxágua garagem e quintal. Pena que estava meio desconfiada e nem chegou perto da câmera, nem da blogueira – que teve que ficar repetindo tudo o que ela respondia, lá looonge

    A idéia da série sobre as mulheres (só pq a maioria das pessoas que lava quintais é mulher – ainda!) que gastam tempo e água pilotando mangueiras nasceu de um post da gloriosa (eco)blogueira Lucia Freitas


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    10 de Setembro de 2008

    Ecorasta sem fumaça

    Piauí – o rastafariman - nasceu no Estado que lhe empresta alcunha. Veio morar na selva de pedra. E aqui desandou. Viveu 16 anos nas ruas e conheceu as trevas no mundo do crack – e otras cositas más. De repente virou esportista e ecologista. E se regenerou. Diz que é artista plástico e faz campanha contra o tabaco. Mora na Vila Nova Cachoeirinha e jura que hoje foi a pé de casa até a avenida Paulista.


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    09 de Setembro de 2008

    estátua eleitoral

    Ser estátua viva já não é um trabalho fácil. Imaginem em ano de eleição.

    Tumulto em frente à BMF, ao lado do estação São Bento do Metrô, na Rua Cásper Líbero. Largo do Café?