Juliana Vilas

Juliana Vilas, 29, codinome "Pássara", é jornalista. Mas gosta mesmo é de "medir ruas" e ouvir histórias de gente de todos os tipos. Paulistana da zona norte, morou um ano e meio no Rio de Janeiro e, apesar da agradável maresia, sofria de saudade do doce ar da paulicéia. Jamais se recusa a conhecer lugares novos e/ou inusitados, seja para comer, dançar, transar ou fazer qualquer coisa. Como pega amizade fácil em elevadores, metrôs, trens e até no ponto de ônibus, é uma espécie de garimpeira urbana das histórias cotidianas da metrópole.



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  • 30 de Outubro de 2008

    SPalcos, SPlatéias

    Listas e mapas temáticos podem ajudar muito a vida de quem mora na metrópole. Com tantas opções disponíveis, é fácil ficar sem nenhuma, pedidão. Em outros casos, as escolhas geram inevitavelmente a sensação de “será que se eu procurasse mais não acharia algo melhor?†A internet, entretanto, pode ser uma super aliada da vida na cidade quando um mapa oferece todos os… cinemas, lojas de decoração, restaurantes árabes, enfim…

    O jornalista Lucas Pretti, do Cubo Mágico, criou um mapão dos teatros da cidade. “Aberto, colaborativo pra qualquer um editar. Não está ligado a nenhuma fonte de renda ou grupo que queira lucrar com issoâ€. Os palcos da Paulicéia, portanto, já estão registrados. Se você conhece algum que não esteja lá, vai lá e aponta. Só não vale inventar senão vira esculhambação. Já que a internet não é lá a fonte mais confiável do mundo para checar informação, uma iniciativa séria merece destaque.


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    29 de Outubro de 2008

    Quero ficar no seu corpo…

    A turma que já está na fila esperando o show do RBD – marcado para 29 de novembro no Anhembi – explica a filosofia RBD. Gostar dos artistas mexicanos é um estilo de vida para esses jovens, que carregam na pele as provas de amor.

    Para sobreviver ao acampamento urbano improvisado num canteiro ao lado da Ponte da Casa Verde, eles lançam mão do espírito aventureiro adolescente. E explicam a estratégia.



    28 de Outubro de 2008

    Marginal camping

    Dois meses e 22 dias. É o tempo que deve durar o acampamento. São 19 barracas e um grupo de jovens de 16 a 22 anos, munidos de edredons, câmeras, celulares e objetos pessoais. Se chove, a ponte protege. Em dias de calor escaldante, árvores magricelas fazem as vezes de guarda-sol. No corpo, trazem tatuados nomes como Christian, Dulce, Anahí. Dos ídolos. Os integrantes do RBD, grupo de músicos, atores e dançarinos jovens da Cidade do México.

    Embora não formem um fã-clube “organizadoâ€, os fã-náticos se uniram num clã depois de se conhecerem num show. Mantiveram contanto no mundo virtual. E se encontraram no dia 7 de setembro com um objetivo, único para todos: pegar bom lugar – no gargarejo, claro – no show do RBD. Jamais diga Rebelde ou RDB. É gafe para os entendidos.

    Nem todos dormem no acampamento – e nem todos dormem todos os dias. O grupo aumenta conforme a data vai se aproximando: 29/11. E se reveza, em turnos, para não perder o lugar na fila. “Vem aqui no sábado. Bombaâ€, comenta um deles. Imagino uma rave no final da avenida Olavo Fontoura (a do Anhembi), no canteiro da ponte Casa Verde. De um lado, a subida para a ponte, do outro… A Marginal do Tietê. Geralmente bombada, claro. Outro tipo de rave. O grupo chama a atenção dos motoristas e passageiros. Claro. A organizadora, por exemplo – sim, embora tentem parecer anárquicos apaixonados por uma banda, há uma liderança – tinha tinta roxa nos cabelos.

    Vídeo 185 – desde qdo etc

    Como em toda mini-sociedade que se preze, há um dialeto. Uma gíria própria do grupo. Deste grupo, claro. Estão unidos por uma “filosofia de vidaâ€, nutrem uma paixão comum. E por isso, vivem uma fase feliz da vida, garantem.

    Ser adolescente nesta metrópole: não tem preço.

    OBS: Em 2006, três pessoas morreram porque 5 mil fãs foram ao Shopping paulista (onde só cabem 2 mil seres humanos) pegar autógrafo dos ídolos do RBD. Multidão neeervosa. Faz sentido chegar antes e garantir o lugar.



    24 de Outubro de 2008

    Metrópole com cheiro de mar

    Esta semana o Urblog se encantou com o Bom Retiro. O bairro é mesmo um “show†de diversidade. Além dos búlgaros, coreanos e bolivianos (menos prestigiados, é verdade), há também uma relativamente numerosa colônia grega por ali. Um dos pontos de encontro, claro, é o restaurante Acrópoles, fundado em 1959. Um dos charmes da casa é o modo de escolher os (bem servidos) pratos. Em vez de olhar o cardápio, o cliente vai até a cozinha aberta e escolhe, conversa com os cozinheiros e funcionários, numa verdadeira experiência sócio-gastronômica.

    Mas o verdadeiro diferencial da casa é, claro, o dono. O simpático Thrassyvoulos Georgios Petrakis, conhecido como seu Trasso (porque quem consegue falar o nome dele direito além dos gregos?), tem 90 anos e recebe, pessoalmente, os clientes. Veio para o Brasil por causa de uma paixão. E nunca mais voltou. Só para visitar. Ali, no mesmo ponto paulistano de sempre, já foi garçom, cozinheiro e depois, virou proprietário. Nesse ínterim, se separou de quem o trouxe para cá e casou com uma brasileira, com quem teve filhos e tudo. Ah, e claro, foi ele quem inspirou o personagem do ator Tony Ramos na novela Belíssima, da TV Globo. O Nico Pterakius - ou algo assim. Até que o seu Trasso ganhou o apelido de Nico por causa da trama. A arte imita a vida, depois a vida imita a arte… E por aí vai…Ê Brasilzão.

    Agora, duvido que alguém adivinhe quem é o nosso Trasso-Nico nesta foto antiga, de quando ele ainda era garçom:



    23 de Outubro de 2008

    Made in KoreaSP

    Parte da família chegou em São Paulo há 45 anos. Por meio de correspondências, o restante que estava lá ficou sabendo que havia um paraíso tropical ao sul do Equador. E veio também. Harmony, a avó, nasceu na Coréia do Norte. Depois da guerra, fugiu para a do Sul e mais tarde, finalmente, veio para São Paulo - há pouco mais de 30 anos. Apesar da dificuldade com o português, adora o Brasil. “Tudo muito bom, tudo muito bom aquiâ€. Harmony teve dois filhos, um casal. Uma das netas, Io-mi, 25 anos, nasceu aqui. E ajuda Harmony a trabalhar numa feira livre no Bom Retiro (reduto da colônia corena – também - em São Paulo). Compram, de outro coreano, produtos muito usados em pratos típicos da culinária da Coréia - como o nabo –, e vendem na feira, para outros coreanos que moram ou trabalham no bairro. Coreano ajuda coreano, né?

    O casal Io-Mi&André terá, logo mais, filhos mestiços, que os orientais chamam de “filhos do amorâ€. Ou algo como “ainoco†(será que assim que se escreve mesmo?). Bonito isso. É a São Paulo de todos os credos, cores, etnias e misturas… A feira da Rua Julio Conceição, no Bom Retiro, é um microcosmo da metrópole que recebe, miscigena e abraça tudo mundo. Ainocos ou não.

    E na feira do Bom Retiro, há morangos gigantes, “tipo exportaçãoâ€. Transgênicos? O feirante conta que esse tipo só é vendido para os Estados Unidos.
    - “E por aqui ficam só os pequeninos, mirradinhos?â€
    – “Éâ€.
    Tá então.



    22 de Outubro de 2008

    SP de tribunas, cinemas e modernos

    Tribuna. Quem não precisa de uma? O Cazé, Gafanhoto (Av. Rebouças, 3181) lançou hoje mais uma idéia ótima, além de democrática. É uma espécie de tribuna virtual. A pessoa liga do celular, diz o que quer (não precisa nem teclar, vejam bem) e posta o arquivo de áudio, compartilha… Gengibre – bom para a garganta – é o nome da idéia.

    “Gengibre é uma nova maneira de você publicar mensagens na internet, usando sua própria voz, através do celular. E você ainda pode colar nosso player diretamente no seu blog ou site para compartilhar com os amigosâ€

    E mais um mapa interessante de Sampa. Das salas de cinema da capital. A dica é do jornalista cinéfilo Felipe Gil, que faz um adendo, ainda sob efeito do filme Linha de Passe, e pergunta: “Qual seria o cinema mais próximo da cidade Líder, o cenário da história? Alguns desses vários da zona oeste ou o cinema do bairro em questão não está neste mapa?†Eis a questão.

    O mapa-lista está aqui

    E uma exposição revela e as verdadeiros pessoas modernas da cidade de São Paulo. Os artistas que criaram e viveram por aqui (ou por ali) entre 1910 e 1930. E tem gente, em 2008, que ser acha mais moderno que eles. Será?

    Exposição Pessoas Modernas
    Palácio dos Bandeirantes
    Grátis. Terça a sexta, das 10h às 17h; sábado, domingo e feriados, das 11h às 16h.



    21 de Outubro de 2008

    “Sou um dos reisâ€

    Conhece Paris (França), Viena (Ãustria), Tanger (Marrocos). Hospedou-se em hotéis e resorts paradisíacos e conheceu várias celebridades. Não, ele não é um magnata excêntrico e milionário. Nem é filho de um. Tampouco se casou com algum@ abonad@ que lhe garante tais regalias. Lucas Vandanezi, 25, violonista e poliglota, é um rapaz bem comum. E mora com os pais e irmão mais novo numa casa de classe média no Lauzane Paulista e tem uma namorada. Em 2002, ganhou seu primeiro concurso. Desfrutou do prêmio ao lado da mãe, numa viagem com tudo pago para Porto de Galinhas (PE). Notou que levava jeito para a coisa e começou a participar de todos. Só este ano, já ganhou 16 prêmios. Participa de um por dia, em média. E vende os prêmios repetidos ou dos quais não gosta.

    Quando Lucas ganha, há quem diga: “que sorte!â€. Sorte nada, diz ele. Criatividade e competência, isso sim. “Ou será que alguém vai dizer ‘que sorte a sua’ para alguém que passou no vestibular ou num concurso público super concorrido? Não, né? O cara se preparou para isso. É a mesma coisaâ€, compara.

    Para se dar bem em concursos culturais, há alguns macetes. Ler com atenção (e guardar) o regulamento é báááááasico. Ver quem está na comissão julgadora da melhor frase/idéia/vídeo é importante também. Se são publicitários e pessoal de marketing da marca que promove o concurso, valem metáforas e sutilezas mais elaboradas. Mas se os juízes são “funcionários de um supermercado, por exemplo, eu me jogo nas rimas. Essas pessoas adoram rimas, acham que é difícil de fazerâ€, analisa.



    20 de Outubro de 2008

    Espumas da miséria

    No meio da rua. Ou melhor, no meio-fio (ou guia) estava ela tomando banho. Mesmo. Ou melhor, lavando “as partesâ€. Com sabão e tudo. Notem a espuma que virou a água da sarjeta. Pena que não quis falar e ainda enxotou a blogueira que, afinal, nem insistiu muito. Às vezes cansa - e pode ser perigoso - teimar em conversar com quem não quer falar nada ou com certos malucos com pinta de agressivos. Urblog acha que vale a imagem. O que teria ela para dizer além do óbvio?

    Bom, se no dia 15 não consegui achar nada legal para participar do BlogActionDay, postagem coletiva sobre o tema pobreza, hoje – cinco dias depois -, a imagem surgiu, bem na calçada da Rua do Bosque, exatamente nas costas do TRT - Tribunal Regional do Trabalho. Isso mesmo, leitores, aquele fórum do Lalau que demorou anos para ser construído, lembram? Aliás, cadê ele, o Lalau? Alguém sabe? Onde e como será que toma banho o Exmo. Nicolau dos Santos Neto? Fiquei curiosa agora…



    17 de Outubro de 2008

    Zé Ramalho loiro

    Sandoval Junior cantava e tocava violão nas ruas de São Paulo. E vivia do que os transeuntes expectadores ofereciam de bom grado. De tanto insistir na carreira artística, um dia a sorte deu-lhe um meio-sorriso. Foi a alguns programas de TV, gravou CD e agora mora melhor, tem carro, apartamento, dignidade. Apresenta composições próprias em festas de todos os tipos. A blogueira o encontrou dentro de um estacionamento, quando colocava sua violinha no saco carro. E Sandoval deu uma palhinha para o Urblog. O estilo de som, ora repente, ora balada sertaneja, com uma pegada meio politizada, lembra um pouco Zé Ramalho. Dito é feito: ele é mesmo fã do compositor de Chão de giz. É, Sandô… Nem precisava dizer.



    16 de Outubro de 2008

    Nada de desgraceiras

    Ontem à noite - à bordo de um automóvel desta vez -, a blogueira deu um passeio pela Crackolândia, no centro da cidade. Testemunhou o “Inferno de Danteâ€. Homens com jeito de meninos bem magricelas com bermudas caídas ou envoltos em cobertores piolhentos se moviam em bando pelas ruas comerciais já vazias e acendaim os cachimbos – dá para ver a luz do fogo mesmo de longe. Sempre a mesma coisa: mudam de esquina, em grupo, se movimentando devagar pelas ruas com nomes femininos (Vitória, Aurora, Efigênia), entre sacos de lixos deixados no chão pelos comerciantes do dia. Huuuuuum… Ensaio sobre a cegueira. É quase o mesmo cenário, leitores.

    Só que Urblog foi meio expulso da área pelos crackeiros, que gritaram quando viram a luzinha vermelha do N95 de dentro do carro. Assim, a blogueira só conseguiu gravar dois vídeos toscos e em movimento (com ajuda inestimável do amigo Fernando Gazzaneo) e tão, mas tão sutis que nem dá para ver direito o que nós vimos. Então resolvi não postá-los. Vamos voltar lá na semana que vem para tentar gravar algo “melhor†– e com mais segurança. Tá? [Pronto, falei escrevi].

    Tudo bem que uma menina de 15 anos é mantida em cárcere privado pelo ex-namorado há dias, tudo bem que as polícias civil e militar entraram em guerra hoje (afe!). Tudo bem que é desgraceira para todos os lados nessa cidade e arredores.

    Mas o Urblog nada contra a corrente dos fatos mesmo, muitas vezes. Depois do super passeio pela Crackolândia, demos uma passada na Estação da Luz para conferir quem estava usando um dos oito pianos espalhados pela “Grande Metrópole Nacional†como parte do Projeto Pianos de Rua, do inglês Luck Jerram. Surpresa: o instrumento não ficou às moscas por nem um segundo sequer. De cara, lá estava uma linda pianista profissional estudando com partitura e tudo. Depois, uma transeunte curiosa bem que tentou. E mais um pianista amador mandou bem, mas não sabia nenhuma do Bethoven para atender o pedido de um semi-bebum que gosta de música, mas não sabe tocar nem campainha. Tudo bem. “É bom, né? Dá uma tranquilidade na gente, no meio dessa correria da cidade, né?â€, disse o fã de Bethoven. É.