Juliana Vilas, 29, codinome "Pássara", é jornalista. Mas gosta mesmo é de "medir ruas" e ouvir histórias de gente de todos os tipos. Paulistana da zona norte, morou um ano e meio no Rio de Janeiro e, apesar da agradável maresia, sofria de saudade do doce ar da paulicéia. Jamais se recusa a conhecer lugares novos e/ou inusitados, seja para comer, dançar, transar ou fazer qualquer coisa. Como pega amizade fácil em elevadores, metrôs, trens e até no ponto de ônibus, é uma espécie de garimpeira urbana das histórias cotidianas da metrópole.
Embora não formem um fã-clube “organizadoâ€, os fã-náticos se uniram num clã depois de se conhecerem num show. Mantiveram contanto no mundo virtual. E se encontraram no dia 7 de setembro com um objetivo, único para todos: pegar bom lugar – no gargarejo, claro – no show do RBD. Jamais diga Rebelde ou RDB. É gafe para os entendidos.
Nem todos dormem no acampamento – e nem todos dormem todos os dias. O grupo aumenta conforme a data vai se aproximando: 29/11. E se reveza, em turnos, para não perder o lugar na fila. “Vem aqui no sábado. Bombaâ€, comenta um deles. Imagino uma rave no final da avenida Olavo Fontoura (a do Anhembi), no canteiro da ponte Casa Verde. De um lado, a subida para a ponte, do outro… A Marginal do Tietê. Geralmente bombada, claro. Outro tipo de rave. O grupo chama a atenção dos motoristas e passageiros. Claro. A organizadora, por exemplo – sim, embora tentem parecer anárquicos apaixonados por uma banda, há uma liderança – tinha tinta roxa nos cabelos.
VÃdeo 185 – desde qdo etc
Como em toda mini-sociedade que se preze, há um dialeto. Uma gÃria própria do grupo. Deste grupo, claro. Estão unidos por uma “filosofia de vidaâ€, nutrem uma paixão comum. E por isso, vivem uma fase feliz da vida, garantem.
Ser adolescente nesta metrópole: não tem preço.
OBS: Em 2006, três pessoas morreram porque 5 mil fãs foram ao Shopping paulista (onde só cabem 2 mil seres humanos) pegar autógrafo dos Ãdolos do RBD. Multidão neeervosa. Faz sentido chegar antes e garantir o lugar.
E uma exposição revela e as verdadeiros pessoas modernas da cidade de São Paulo. Os artistas que criaram e viveram por aqui (ou por ali) entre 1910 e 1930. E tem gente, em 2008, que ser acha mais moderno que eles. Será?
Exposição Pessoas Modernas
Palácio dos Bandeirantes
Grátis. Terça a sexta, das 10h às 17h; sábado, domingo e feriados, das 11h às 16h.
Ontem à noite - à bordo de um automóvel desta vez -, a blogueira deu um passeio pela Crackolândia, no centro da cidade. Testemunhou o “Inferno de Danteâ€. Homens com jeito de meninos bem magricelas com bermudas caÃdas ou envoltos em cobertores piolhentos se moviam em bando pelas ruas comerciais já vazias e acendaim os cachimbos – dá para ver a luz do fogo mesmo de longe. Sempre a mesma coisa: mudam de esquina, em grupo, se movimentando devagar pelas ruas com nomes femininos (Vitória, Aurora, Efigênia), entre sacos de lixos deixados no chão pelos comerciantes do dia. Huuuuuum… Ensaio sobre a cegueira. É quase o mesmo cenário, leitores.
Só que Urblog foi meio expulso da área pelos crackeiros, que gritaram quando viram a luzinha vermelha do N95 de dentro do carro. Assim, a blogueira só conseguiu gravar dois vÃdeos toscos e em movimento (com ajuda inestimável do amigo Fernando Gazzaneo) e tão, mas tão sutis que nem dá para ver direito o que nós vimos. Então resolvi não postá-los. Vamos voltar lá na semana que vem para tentar gravar algo “melhor†– e com mais segurança. Tá? [Pronto, falei escrevi].