Juliana Vilas

Juliana Vilas, 29, codinome "Pássara", é repórter. Do tipo que gosta de "medir ruas" e ouvir histórias de gente de todos os tipos. Paulistana da zona norte, já morou em vários becos da cidade: Santana, Tremembé, Jaçanã, Tatuapé, Paraíso, Água Branca, Aclimação, Paulista e Bela Vista. É uma espécie de garimpeira urbana de "causos", com ou sem finais felizes.



  • Vida Pechincha
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  • SP-Paris


  • 16 de Outubro de 2008

    Nada de desgraceiras

    Ontem à noite - à bordo de um automóvel desta vez -, a blogueira deu um passeio pela Crackolândia, no centro da cidade. Testemunhou o “Inferno de Danteâ€. Homens com jeito de meninos bem magricelas com bermudas caídas ou envoltos em cobertores piolhentos se moviam em bando pelas ruas comerciais já vazias e acendaim os cachimbos – dá para ver a luz do fogo mesmo de longe. Sempre a mesma coisa: mudam de esquina, em grupo, se movimentando devagar pelas ruas com nomes femininos (Vitória, Aurora, Efigênia), entre sacos de lixos deixados no chão pelos comerciantes do dia. Huuuuuum… Ensaio sobre a cegueira. É quase o mesmo cenário, leitores.

    Só que Urblog foi meio expulso da área pelos crackeiros, que gritaram quando viram a luzinha vermelha do N95 de dentro do carro. Assim, a blogueira só conseguiu gravar dois vídeos toscos e em movimento (com ajuda inestimável do amigo Fernando Gazzaneo) e tão, mas tão sutis que nem dá para ver direito o que nós vimos. Então resolvi não postá-los. Vamos voltar lá na semana que vem para tentar gravar algo “melhor†– e com mais segurança. Tá? [Pronto, falei escrevi].

    Tudo bem que uma menina de 15 anos é mantida em cárcere privado pelo ex-namorado há dias, tudo bem que as polícias civil e militar entraram em guerra hoje (afe!). Tudo bem que é desgraceira para todos os lados nessa cidade e arredores.

    Mas o Urblog nada contra a corrente dos fatos mesmo, muitas vezes. Depois do super passeio pela Crackolândia, demos uma passada na Estação da Luz para conferir quem estava usando um dos oito pianos espalhados pela “Grande Metrópole Nacional†como parte do Projeto Pianos de Rua, do inglês Luck Jerram. Surpresa: o instrumento não ficou às moscas por nem um segundo sequer. De cara, lá estava uma linda pianista profissional estudando com partitura e tudo. Depois, uma transeunte curiosa bem que tentou. E mais um pianista amador mandou bem, mas não sabia nenhuma do Bethoven para atender o pedido de um semi-bebum que gosta de música, mas não sabe tocar nem campainha. Tudo bem. “É bom, né? Dá uma tranquilidade na gente, no meio dessa correria da cidade, né?â€, disse o fã de Bethoven. É.

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    comentários dos leitores (4)

    1. Petunia

      17 de Outubro de 2008

      Parabéns Juliana!
      A matéria dos pianos está sensacional. Adoro São Paulo por essas e outras

    2.  
    3. Roberto Sena

      18 de Outubro de 2008

      Olá Ju! Meu, adorei esse último vídeo! Sampa é isso ai, diversidade, e o meu camarada aí falando é simplesmente verdadeiro! “Amo tudo isso”!

    4.  
    5. Roberto Sena

      18 de Outubro de 2008

      Assim, vai rolar um evento amanhã, na Oscar Freire, da Nokia Store, já que você é usuária de um Nokia…se tiver interesse tá aí o link!

      http://blogdosirmaos.wordpress.com/2008/10/15/nokia-traz-inaugura-no-brasil-uma-nokia-store/

    6.  
    7. MARIA TEREZA

      21 de Outubro de 2008

      O musica vai direto aos corações, diferentemente da leitura, que só atinge os alfabetizados e depende de interpretação subjetiva. Parabéns aos idealizadores do projeto!

    8.  
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