Mais uma da série “Banheiros da Paulicéia”. Este é o do restaurante Taberna Gaúcha, na Avenida Cásper LÃbero, 42. Se passar por lá na hora do almoço, não hesite. Comida honesta e variada, decoração simples, espaço bem arejado. Você escolher entre duas opções: 1) RodÃzio de carne + pizza ou 2) por quilo. E no jantar, ainda tem show de mágica. Mas aà é só rodÃzio - de pizza e/ou carne.
O banheiro do Tabenra é bacana para momentos de aperto. Eu daria classificação 1 (nunca falta papel, segundo apurei), mas como são só duas cabines, leva 2! Relembrando:
1) Número 1 e 2 com tranqüilidade e sossego
2) Número 1 OK; e 2 só em situações de urgência máxima
3) Número 1 com tranqüilidade
4) Só para o número 1 em situação de urgência - e sem encostar em nada
Se você encontrar algum banheiro por aà e achar que é digno de nota por qualquer motivo, mande para nós. E ganhe um par de ingressos para assitir à peça “Monólogos da vaginaâ€, no Teatro Gazeta, até dia 23 de novembro. Não é sorteio. Mandou, ganhou!
São Paulo agora é “Grande Metrópole Nacionalâ€, segundo o IBGE. Porque: “tem projeção em todo o PaÃs, e sua rede abrange o Estado de São Paulo, parte do Triângulo Mineiro e do sul de Minas, estendendo-se para Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia e Acreâ€. Concentra, nos municÃpios que a compõem, cerca de 28% da população brasileira e 40,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
PIB per capita: R$ 21,6 mil para São Paulo e R$ 14,2 mil para os demais municÃpios do conjunto
Veja mais aqui
Mas nem só de grana (que ergue e destrói coisas belas), carros e “projeção” sobrevive uma “Grande Metrópole Nacionalâ€. Toda cidade tem direito a um pôr-do-sol digno. Como este:
 ERRATA: O leitor Luiz Blank alerta para o e-mail do Urblog, que foi grafado com erro no post “Mande o Urblog para…III”. O correto é: epocasp@gmail.com e/ou julianavilas@gmail.com . Participem!
Na porta das penitenciárias e prisões do Brasil, existe uma indústria paralela que gira exclusivamente com o dinheiro deixado por quem nunca cometeu crime algum, mas tem filho, mãe, pai ou namorad@ preso.
Só na porta da Penitenciária Feminina de Santana, três famÃlias (ou grupos) se sustentam do que se pode chamar de “infortúnio†alheio. Aos domingos, dia de visita, a fila na porta do cárcere começa a se formar à s 4h da manhã. Às 8h, começa a entrada dos parentes de detentos. Para diminuir o tempo da rÃgida revista na porta – “terrivelmente humilhanteâ€, segundo quem passa por isso toda semana – há as chapelarias móveis. As empreendedoras alugam calças de moletom, chinelos e camisetas para quem não está vestido conforme as regras da prisão. Além disso, guardam em sacos plásticos numerados tudo o que as visitas trazem consigo, mas não podem levar para dentro dos portões e muros. A lista dos itens proibidos é bem extensa. Além dos óbvios objetos cortantes e perfurantes, como facas e canetas terminantemente proibidos, há as blusas com decotes, jeans, fivelas aparentemente inofensivas e muita, muita coisa. É mais fácil elencar o que pode entrar (seria uma lista com não mais que cinco itens). Assim, nunca falta cliente para os donos dos guarda-volumes, que oferecem ainda um vestiário improvisado para as necessárias trocas de roupa.
Os pertences são colocados em sacos grossos e numerados. E o cliente entra na cadeia de chinelos de dedo, carregando a comida e uma fichinha que, depois, na saÃda, ajuda a achar o saco certo. Perdeu a ficha, já era. Ninguém leva nada sem provar a posse. Claro. Guardar coisas na chapelaria custa R$ 1,50 – qualquer volume. Mas e quando a pessoa não tem dinheiro? “A gente deixa pagar outro diaâ€, esclarace Loira, uma das empresárias do ramo, que administra o guarda-volume que fica no canteiro central da Avenida Ataliba Leonel. A Loira, no entanto, falou um pouco, mas não topou vÃdeo nem foto. Roubei um vÃdeo geral dos sacos espalhados pelo chão. Bem curtinho. Porque a Loira ameaçou ‘engrossar†com a blogueira. Apanhar em porta de cadeira não dá, né?
A blogueira então, depois da ameaça, deu uns tapinhas amistosos nas costas da Loira, atravessou a avenida e foi implorar depoimento para as outras micro-empresárias do mesmo ramo. E abordou, de cara, a pessoa certa (ufa!). Tati, 23 anos, uma filha de quase cinco, passou dois presa. E hoje cuida do guarda-volume que a mãe criou [comprou o ponto; tem isso também] nas milhões de vezes em que dormiu na porta do cárcere para visitar a filha. Tati falou de negócios – R$ 150 por domingo é o rendimento médio da chapelaria - e de como sobreviveu no inferno. Ao narrar o momento mais marcante que viveu dentro da prisão, se emocionou. Foi a primeira visita da filha, que tinha pouco mais de dois anos quando Tati foi presa. A ex-detenta conversou com Urblog no primeiro dia das crianças que passou na rua depois da reclusão. E, por uma dessas inexplicáveis ironias do destino, estava separada da filha mais uma vez (a menina ficou em casa com a avó enquanto a mãe trabalhava), só que do lado de cá do muro. Poderia dormir ao lado dela mais tarde…
Terminada a visita, parentes saem com as crianças (a maioria avós e filhos de detentas), pagam o guarda-volume e pegam as coisas na porta. Teve festinha e distribuição de bexigas do lado de lá do muro. Mas o Dia das Crianças foi melhor para muita gente…
Mosteiro São Bento, represa Guarapiranga (nossa visita aguarda um belo fim de semana sem chuva)… Quem mandou o Urblog para… ganhou um par de ingressos para ver a peça Querido Mundo, comédia de Miguel Falabella. Mas ainda temos mais, muitos mais! Os cinco primeiros internautas que sugerirem um lugar para a blogueira explorar num fim de semana (pode ser um bairro, uma rua, um ponto turÃstico, qualquer lugar) levam. Depois, basta enviar nome e endereço para urblogepocaso@editoraglobo.com.br . Pronto. Não é sorteiro, não é concurso. Participou, ganhou! A peça é boa, hein?
É provável que a Lei Cidade Limpa tenha tornado o prefeito Gilberto Kassab o preferido dos endinheirados. No Jardim paulista, bairro nobrÃssimo de São Paulo, 48,37% dos votos computados no domingo passado são do atual prefeito. Naquela região, Marta Suplicy conseguiu conquistar só 11,13% dos eleitores. Já em Parelheiros, bairro pobre no extremo sul da cidade, a candidata petista foi muito bem votada. Quase 70% das pessoas da região (boa parte usuárias do Bilhete Único) votaram nela. A ironia: no reduto de Kassab, a maioria das pessoas tem a aparência da Marta. E o café mais badalado da Oscar Freire leva o sobrenome da ex-prefeita, que não tirou o “Suplicy†do senador Eduardo do nome quando se separou dele.
O Jardim Paulista tem 138 quadras desenhadas por quatro importantes avenidas, 54 ruas e alamedas e 27 ruas sem saÃda. A média salarial dos moradores do bairro chega a R$ 5 mil. Por ali, tudo é muito chique e limpo. Muitos carros, calçadas largas, gente “bonitaâ€. A blogueira abordou muitas distintas senhoras eleitoras de Kassab. Garantiram ter votado no atual prefeito, mas não quiseram gravar entrevista. E disseram que odeiam o PT – por isso não ajudariam a eleger Marta jamais. A lei Cidade Limpa foi a iniciativa mais citada como bom motivo para escolher o candidato do DEM. Urblog circulou atentamente pela (quem sabe) rua mais simbólica do Jardim Paulista, a Oscar Freire - famosa pelas grifes, cafés e pelo clima descaradamente luxuoso.
Exibir mapa ampliado
O funcionário de um restaurante do Jardim Paulista mora por ali, mas é exceção nas estatÃsticas. Não votou no candidato do DEM.
Já que nenhum eleitor do Kassab quis gravar, a blogueira “furtou†esta entrevista. De uma mulher que fazia compras na Oscar Freire e só não votou no atual prefeito porque mora em São José dos Campos. De qualquer modo, pode ser considerada uma eleitora tÃpica dele. Veja porque:
Dona Elza passou da idade de votar por obrigação, mas pode explicar bem o comportamento eleitoral de quem apertou 25 na urna eletrônica. E a enfermeira ao lado, também eleitora do Kassab, já está inserida na lógica do reduto eleitoral kassabista. Confira:
Ainda esta semana, não perca o rolê por Parelheiros, o reduto da Marta onde a média salarial dos chefes de famÃlia não passa de R$ 700. Os extremos da cidade podem se cruzar nas urnas – também.
Só de olhar ela já sabe quanto custa o produto. Afinal, são 16 anos de experiência com cabelos. Isa é cabeleireira por formação, mas ampliou os negócios e hoje comanda duas lojas de compra e venda de madeixas. Mas não só. “Quando o cliente vem vender, a gente faz um corte bacana para ninguém sair daqui tristeâ€, explica. E há também as compradoras, que fazem megahair (o serviço mais caro), apliques, alongamentos, próteses. Além de perucas sob encomenda, claro! Isa abriu filial na Avenida São João. Mas boa mesmo é a loja da Rua 24 de maio, na galeria do rock. O cabelo é comprado e vendido por grama. O mais barato sai por R$ 297 (100g, o mÃnimo) e o mais caro – liso loiro natural -, custa R$ 350. A média de comprimento é 70 cm.
Na galeria da rua 24 de maio, o “paraÃso dos descolados†menos blasé que a Ouro Fino, teve bas fond forte no sábado passado, véspera de eleição. Punks X carecas. Saldo: três desocupados em coma hoje. Vou ver se eu acho a mãe deles para entrevistar. Enquanto isso, segue o depoimento de duas testemunhas, Elaine e Michele (MST - Movimento dos Sem Tribo), que trabalham na galeria e viram o “bicho pegarâ€. Os punks também não gostam dos emos e vivem apavorando os meninos. E os carecas não gostam de ninguém, com ou sem tribo. Retrato do atraso. Chega a ser absurdo encontrar carecas skin heads numa cidade tão diversa e democrática quanto São Paulo. Por que destilar intolerância pelas ruas? Como punk também não é santo, não nos cabe julgar, só lamentar…
“Antenadosâ€, “modernosâ€, “descolados†– tendo a repudiar todos esses adjetivos. Só que, em São Paulo, há pessoas e lugares que não conseguem ser classificados com outras palavras. Já tentei de tudo. Vanguarda? Não. Antenados (ecaaa!). O que, gente? Bacana? O que é para uns não é para outros… Enfim.
A Galeria Ouro Fino é (não sem querer) o reduto dos “modernos†de São Paulo. A 24 de maio também, mas a Ouro Fino quer ser a maaais moderna de todas as galerias modernas. Num despretensioso rolê por ali, entrei no Mundorama, salão de cabeleireiro… super descolado (claro). A decoração – com grafite nas paredes – dá um ar diferenciado, de balada, ao salão. E a vista da rua Augusta cai muito bem. Como a maioria dos lugares modernos com pessoas descoladas, claro, o clima é bem blasé (total blasé). Mas isso é quase natural. Quase sem querer. Sabe assim?
De qualquer modo, essa decoração não vai durar muito tempo. “O dono já enjoou, quer algo mais clean, faz anos que está assimâ€, explica Daniel, rápido nas tesouras e navalhas. Quem quiser conferir ao vivo deve ir logo… Ah, detalhe: gostei do design do site. Vocês também? Confiram aqui .
“Senhores†é a palavra que ele mais repete durante o bem humorado discurso. O empresário Oscar Maroni, que pleitea uma vaga na Câmara de SP, é o candidato mais rico do Brasil. O próprio divulga, aos berros, o valor de seu patrimônio: 76 milhões. E ainda completa: “o salário de vereador eu gasto em cachaça, gasolina, perfume…†Apesar de não se considerar polÃtico - “não sou, estouâ€, garante -, militou contra a ditadura militar e foi filiado ao PT durante anos, mas agora concorre pelo partido PT do B – coligação Tostão Contra o Milhão (olha a ironia!)
Se ganhar, vai lutar no Legislativo pelo projeto número 1: legalizar e abrir cassinos na cidade. Para turbinar o turismo e a indústria do entretenimento. “Poderia prometer saúde, educação, mas desde que eu usava fralda ouço essas promessasâ€, ironiza. Não pretende mudar nomes de ruas, mas diz que gostaria de homenagear a atriz Dercy Gonçalves batizando uma praça (“que hoje tem um nome qualquerâ€) com o nome da Ãdola. Se é o Larry Flint brasileiro? Sim, ele gosta da comparação.
Aos 57 anos, é psicólogo e empresário, Maroni é dono do Oscar World (OW), que inclui: boate Bahamas, Oscar´s Hotel, Fazenda Santa CecÃlia, Editora Penthouse e Hustler no Brasil. Mas não herdou nada, começou vendendo cachorro quente na faculdade. Ganhou o apelido de Imperador do Prazer.
- Quando o chamam de cafetão, o que você responde? – pergunto.
- Nada. Eu explico que cafetinagem é explorar as mulheres, cobrar delas. Eu não faço isso, só tenho casas noturnas, não tenho funcionárias que fazem programa, é muito diferente. Mas as pessoas são muito hipócritas. Sou empresário – diz.
- Em que momento teve a idéia de se candidatar? – indago
- há cerca de um ano, quando eu estava deputado num colchão de 3 centÃmetros, questionando o motivo de aquilo estar acontecendo comigo. Usaram de forma distorcida uma declaração minha, fecharam o Bahamas, fui preso.
[Em tempo: Maroni ficou preso por 47 dias em decorrência da acusação de favorecimento à prostituição. O alvará do Bahamas foi cassado pela Prefeitura depois que o empresário declarou (ou não exatamente): “Sim, é prostituição de luxo sim, não vamos ser hipócritasâ€. Segundo a subprefeitura, o Bahamas possuÃa autorização para atividades de “hotelaria, sauna, banho, bar e restauranteâ€, mas não para boate. E o Bahamas continua fechado.]
TRÊS mil: esse é o número de mulheres que o candidato calcula ter conquistado, beijado, enfim… Na vida. Hoje está casado. “Fiz essa conta com um repórter há certo tempo: se o ano tem 365 dias; digamos que broxei 65 (o que já é muito, mas só broxa quem trepa). Então, 300 por 30 daria 9 mil. Uma por dia é impossÃvel. Uma a cada três dias já é viável, então: 3 milâ€,
A garota-propaganda, de biquine sob o roupão branco e máscara à Tiazinha, é a sensação da campanha. Em discurso na porta da Bolsa Mercadorias & Futuros, causou frisson. Causaram, aliás. Ele e a careca lustrosa, anel grosso e notável, casaco, fala ao povo encima de um caixote de madeira. Ao lado, assessores organizam alguns cartazes que estão dentro de um carrinho de supermercado. Nos momentos certos, ele complementa o que exibindo os cartazes. Se ele ganhar, será que vai representar bem e apresentar projetos relevantes para São Paulo?
Semana passada, entre 18 e 25 de setembro, foi comemorada a Semana Nacional do Trânsito. Como assim? Só soube disso hoje, por isso não comentei antes aqui. Mas acho que, mesmo que soubesse, não comentaria, não gosto muito de efemérides (citá-las me soa falta de assunto). Mas vejam que curioso: na mesma semana passada, dia 22, foi comemorado o Dia Mundial sem carro no mundo todo. Ou seja: pipocam datas comemorativas relacionadas ao trânsito. E não se tratam de elogios à cultura das quatro rodas. Ao contrário. Sobre trânsito, duas, quatro ou mais rodas, todo mundo teria milhões de coisas para dizer, sobretudo quem mora em São Paulo. De tudo o que leio, ouço e vejo sobre esse tema todos os dias _ mais de uma vez_, uma campanha me atraiu especialmente: o projeto Olhares em Trânsito . Crianças ganharam uma câmera e saÃram à s ruas em sete cidades: São Paulo (Brasil), Toronto (Canadá), Xangai (China), Mumbai (Ãndia), Seul (Coréia do Sul), Manila (Filipinas) e Washington D.C. (Estados Unidos). Fizeram imagens excelentes que mostram como essas metrópoles podem ser (in)transitáveis para crianças. Enfim… Só vendo as fotos para entender. Aqui na Paulicéia, o projeto contou com fotos de 14 jovens (de 11 a 14 anos), do Núcleo Sócio-Educativo “LUCAâ€/Serviço Social Bom Jesus, da zona Sul, orientados pela fotógrafa Inaê Coutinho.
A ONG multinacional Criança Segura, que trabalha com prevenção de acidentes infantis – sim, é possÃvel evitar a maior parte – realizou pelo um estudo e constatou: no Brasil, cerca de 6 mil crianças, entre 1 e 4 anos de idade, morrem, todo ano, vÃtimas de acidentes de carro. As fotos do projeto podem explicar parte desse número… Uma das fotos mais impressionantes da expo, para mim, é desta calçada. O que são as calçadas de São Paulo? Obviamente pensadas (se é que que alguém pensou nisso) para a vida de carros, claro. Não de pessoas.
Quem fez esta foi Henrique, de 10 anos.
Mas não é só criança que morre não, ciclistas também se lascam no meio dos carros. Há dois dias eu publiquei alguns mapas legais de Sampa (dos radares, a maioria desligado hoje, diga-se; e das GPs), mas esqueci de um muito sério: dos ciclistas mortos. Mórbido? Real?
Exibir mapa ampliado
Mas no meio do tráfego, além de desgraceira, acidentes e mortes, há também muuuuuuuuita cena inusitada e umas figuras tão loucas… Este rapaz estava correndo enlouquecido perto da Praça Campo de Bagetele (no Campo de Marte). A calça cobria uma perna só e ele corria, xingava, dizia coisas inaudÃveis. Não deu tempo de perguntar, mas o que pode ter acontecido com ele? Algum palpite?
Encontrou figuras loucas pelas ruas ou viu alguma cena que prove o quanto o trânsito de SP está se tornando inviável (ou melhorando ou qualquer coisa)? Não hesite, mande!
Ah, e hoje, 01/10, é o Dia Nacional do Idoso. E daÃ? Daà nada! Aaaaaaaahahahahaha! Efeméride é falta de assunto…