Luciana Batista de Oliveira, 27 anos, quatro filhos, trabalha com reciclagem (cata papel e vende). À beira da Rodovia Fernão Dias, quase na divisa entre São Paulo e Guarulhos, ela mora há dois meses num barraco de madeira que divide com marido e crianças. De um lado, carros e caminhões passam “a milhão†bem na porta, onde os meninos empinam pipas. Do outro, o Rio Tietê corre sujÃssimo debaixo da janela. “A gente tem medo que as crianças caiam lá dentro quando chove e tem enxurradaâ€, ela comenta. E de que mais sente medo esta famÃlia? De incêndio. “Já tive que fugir de um na outra favela em que morava e não foi bom. Tenho mais medo do fofo do que da água. Numa enchente, você pode nadar, e para sair do fogo?â€, pergunta, elegendo a desgraça menos pior a que esta sujeita. Infecções ela não citou. Mas nem precisou. Sujeira, umidade, comida e panos imundos dividem espaço na casa com uma gata branca de aspecto cansado e sarnento que amamenta três filhotes sobre um sofá azulão. Um dos gatinhos, no entanto, é menor que os demais. “Os meninos acharam esse pequeno no Rio e trouxeram. Agora ela está dando de mama para ele tambémâ€, narra a moça que, bem tratada, faria sucesso pela beleza.
A casa de madeira, instalada em terreno irregular, é “própriaâ€. Urblog reproduz exatamente o que disse Luciana. “Queria muito sair do barraco, mas ainda é melhor morar aqui do que pagar aluguel. Pelo menos é nosso. Meu sogro vendeu para nós, por dois mil reais e uma televisão. Mas ainda não temos a escrituraâ€, conta Luciana, que não pode tomar anticoncepcional, não confia no DIU e não pôde ser operada pelo SUS para evitar mais gestações porque ainda não tem 30 anos. Assim, desconfia que está grávida de novo. Sem coragem para fazer o exame e encarar o resultado positivo, diz que vai numa igreja evangélica para que Deus revele seu possÃvel quinto filho. Para ir trabalhar ou ao culto, deixa as crianças sozinhas em casa. “O mais velho cuida dos outrosâ€. O mais velho tem 10 anos.
Você viu, Luciana, o que aconteceu em Santa Catarina?
“Vi, mas falei pro meu marido: não sipórto ver televisão. Só violência, desgraça, pobreza. Não dáâ€. É… Não dá mesmo para ver TV, sobretudo depois que a famÃlia deu o televisor como parte do pagamento da casa. Para o avô das crianças.
• O tÃtulo deste post é uma homenagem ao talentoso paulistano Marco de Castro, o “olheiro da desgraçaâ€. Marco é autor do blog Desgraceira que, atualizado ou não, sempre tem texto deliciosos, belas narrativas de bastidores da cobertura policial em São Paulo.
Acho que entendi porque as Garden Girls não confiam no Itaim. Urblog recebeu hoje e-mail de uma moradora narrando um fato bem desagradável que ela protagonizou num bar do bairro. Vivian foi mal tratada, deixou sua carteira de motorista (a habilitação; cariocas dizem que só os paulistas chama aquilo de carteira). Enfim, reproduzo aqui o desabafo der uma nobre moradora da Paulicéia. O que Urblog tem a ver com isso? Nada. Não, tudo o que diz respeito à cidade interessa, não é? Então a blogueira se joga e imita na cara dura aqueles espaços dos guias semanais em que os leitores reclamam do (mal) atendimento dos locais da cidade. Tá? Se quiser se queixar, xingar, reclamar ou elogiar (oras, por que não?), manda também.
Na Ãntegra, por Vivian Najar:
“Estive no bar Bellini, à Rua Lopes Neto, 155, no bairro do Itaim (São Paulo – SP), na última quarta-feira, dia 19/11/2008, para a comemoração de um aniversário. Ao entrar no bar, nenhum documento me foi solicitado e, apenas quando chamei o garçom para fazer um pedido, fui informada que deveria retirar uma comanda no caixa. Para a retirada desta comanda, o bar exige que o cliente deixe seu documento sob posse do estabelecimento (uma prática ilegal) e a condição de uma consumação mÃnima no valor de R$ 30,00 (trinta reais), o que vai contra o artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor – CDC. Ciente destas condições ilegais do estabelecimento, porém submissa a tais regras abusivas, entreguei minha carteira de habilitação em troca de uma comanda para poder consumir algo no local.
Ao ir embora, solicitei para o garçom fechar minha conta, entreguei a comanda ele, que me trouxe a conta na mesa, e paguei a quantia de R$ 33,00 (tinta e três reais) em dinheiro, referente à consumação mÃnima mais 10% (dez por cento) de serviço – taxa cobrada porém não obrigatória – sendo que o valor que consumi foi inferior à consumação mÃnima exigida. Como o pagamento foi efetuado em dinheiro, não recebi nenhum comprovante de pagamento, e o garçom não me entregou meu documento de volta. Fui embora e notei que estava sem minha carteira de habilitação apenas no sábado, dia 22/11.
Entrei em contato com o bar a fim de saber se meu documento estava lá e a pessoa que atendeu ao telefone me informou que o documento estava sob posse do bar e, para reavê-lo, deveria efetuar o pagamento no valor de R$ 33,00, que o bar acusa que eu não havia feito, além de afirmarem terem entrado em contato telefônico comigo para avisar sobre o documento, porém o número que disseram ter sido contatado não é meu.
Ao entrar em contato telefônico novamente no domingo, me informaram um novo valor a ser pago (cerca de R$ 70,00) para que minha carteira de motorista seja devolvida.
Além de ter pago a minha conta sob as condições completamente ilegais impostas pelo bar, meu documento está retido, o que me causa sérios transtornos por não poder dirigir, já que estou sem minha habilitação.
Espero ter este problema solucionado o mais breve possÃvel e já estou providenciando que meu documento seja reavido através de uma advogada, caso os responsáveis pelo bar Bellini não resolvam ser honestos.
Atenciosamente,
Vivian Najjarâ€
Oooooooooo Bellini, se liga, mané! Desse jeito o Itaim jamais terá a envergadura dos Jardins (ahahahaha!). Esse tipo de atendimento bem loco com cara de golpe deprecia o bar, o bairro e, claro, a cidade…
Ah, São Paulo é mesmo de uma diversidade Ãmpar. Poucos dias depois de viver um “dia de princesa†com as Garden Girls, nos Jardins, a saborear ostras, bebericar bons vinhos e ver a chuva das janelas envidraçadas do Hotel Fasano, a blogueira vive um “dia de pobreza†com direito a leptospirose e afins na Barra Funda.
Literalmente ilhada num restaurante oriental, a blogueira fez plantão debaixo do toldo e
gravou cada momento das tempestade que alagou alguns pontos da cidade da garoa. Para nossa surpresa, melhor sorte não teve o presidente da ONG Nova Barra Funda, fundada há um ano. Dr. Antonio Carlos Rivelli também falou que a Barra Funda é um dos bairros da capital que tem das maiores populações de ratos e outras pragas. Sabiam? Ai, que aprazÃvel! “O bairro está no mesmo nÃvel do Rio Tietê. Quando o leito sobre muito, a sujeira vem para cá e os ratos ficam por aqui mesmo depois. À noite, aqui, a gente encontra cada ratazana nas calçadas. Nossa!â€
Nooooooooooossa, Doutor!
E o Urblog lança já uma campanha séria (que se faz mister): Todo cidadão morador da ENSOPAulicéia deve ter direito a receber do governo municipal um kit com: 01 par de bóias de braço, 01 canoa, 01 par de galochas de borracha de boa qualidade, 01 bote inflável. E – por que não? – um colchão inflável desses verdes fluorescentes que o pessoal usa nas piscinas para ficar deitado degustando um drink e curtindo o sol sem se molhar demais… Aaaaaah, que aprazÃvel!
Ela chegou de mansinho, começou leve…
Dali a pouco, apertou…
Um cidadão escapa. Seco e com vida
O nÃvel da água começa a subir e as pessoas se viram como podem, sem barcos, canoas ou botes infláveis.
Alguns, mais prevenidos, usam belas galochas.
E quando o lixo navega sozinho, é sinal de a cidade parou
E não é que o presidente da ONG Nova “Barra Afunda†também ficou ilhado? Confira:
A moça bem que tentou, mas não conseguiu sair seca dessa. Ao ver a coragem da transeunte, o advogado presidente da ONG também se anima…
E como nenhum desgraceira aguaceiro dura para sempre, as pessoas começam a se animar. E a vida na Sampalagada (quase) volta ao normal.
Elas odeiam Moema e ainda não confiam na Vila OlÃmpia. Nem no Itaim. A única “cidade†ideal da capital paulista se chama Jardins. Alto Jardins, Baixo Jardins, todo o Jardins. São as Garden Girls. E a idéia é exatamente essa que o nome sugere: três mulheres, três personalidades, três silhuetas um só estilo de vida: o estilo Jardins. Para Ale Farah, Ana Lucia Zambon e Claudia Tannous, 30 e poucos anos, Jardins é muito mais que uma região da cidade. É uma filosofia de vida.
A Channel está na bolsa da Ale e nos óculos da Ana. A Pelu, no vestido da Ale. Looks de grifes criadas por meninas tão “gardens†quanto o trio, como Lilly Sarti e Pelu, não podem faltar no guarda-roupas da versão contemporânea e desarmada das Panteras. Ou closet. Todas viveram fora do Brasil durante um tempo. E isso garante o (quase) inacessÃvel passaporte para o Planeta Gardens. Ale, em Nova Iorque. Claudia, em San Diego, no Hawai e em Nova Iorque. Ana, em Paris e Milão. Das três Meninas Superpoderosas, só Cláudia nasceu na capital. Ale, de Conceição do Rio Verde (“8 mil habitantes e 3 mil eleitoresâ€, dimensiona) e Ana, de OlÃmpia, conservam um leve e charmoso sotaque rural – mais notável nos Rs -, misturado ao jeitão tipicamente paulistano de falar. E o melhor dos Jardins, para elas, é exatamente o ar provinciano, onde todos se conhecem e qualquer caminho essencial é “walking distance†– sim, elas dirigem e têm carro, mas gostam mais de andar a pé. E o atendimento dos Jardins é o principal diferencial. “Onde mais se pode comer ostras e tomar vinho no sábado à tarde? No Lê Vin. Aliás, a gente ama o Lê Vin. Pode anotarâ€. A blogueira desgustou ostras e vinho com elas no Lê Vin. Em pouco mais de uma hora, quatro garden peoples tÃpicos passarem e pararam, conversaram, ficaram. Só faltaram dizer: “Tarrrrrdeâ€.
As Gardens amam não só o Le Vin, mas também o Emiliano, Fasano e o Baretto (bar do Hotel Fasano, onde cumprimentam efusivamente garçons, concierges e funcionários)… E adoram dinheiro também. “A força da grana que ergue e destrói coisas belasâ€. E – que bom! - não têm vergonha disso. Nem culpa (que é tão comum entre os herdeiros da alta sociedade paulistana que não gostam de admitir nem que consomem uÃsque de R$ 100 a garrafa, como isso fosse uma fortuna!). Comer, beber, viajar e se vestir bem. Amam. Bem sucedidas profissionalmente – trabalham com comunicação, publicidade, arte e moda – elas criaram, despretensiosamente, um programa de entrevistas que vai ao ar na web. O Garden Girls (confira aqui), claro! Os convidados? Só Gardens, claro. Os temas? Gardens, claro. Consumo nos Jardins, moda nos Jardins, lugares mais legais dos Jardins, bussiness, estilo de vida. Nos Jardins. “Os entrevistados são sempre ‘gardens’; se não moram aqui, trabalham ou estão, de algum modo, envolvidos com a regiãoâ€, explica Claudia, a única casada, “lÃder†do trio, empreendedora/negociante nata, de vestido estampado, cabelos claros e presos.
http://www.filmefashion.com.br/site08/.
Em mais de 40 episódios - semanais, gravados sempre à s quintas à s 21h00 no lobby do Hotel Fasano -, as GGs já entrevistaram 35 personalidades. Num tom informal e descontraÃdo de papo entre amigos, arrancam revelações bombásticas e comentários excelentes dos convidados. Glória Kalil, Natalie Klein, Isabela Capeto, Beto Lago e muitos outros já tomaram vinho branco e racharam o bico nas poltronas das GGs…
“A gente não tem acesso. Nós SOMOS o acesso. Nunca fomos nem seremos barradas em lugar nenhum do mundoâ€, explica Ana, cabelos pretos e lisos, de jeans e blusa esvoaçante estampada de preto e branco, além de sandália alta prata. A única que quase não bebe, a única que vai à missa TODOS os domingos à s 11h00 (“na Igreja N. Sra. Da Assunçãoâ€; no Jardins, claro) e a única que clama pela volta dos bingos. “Domingo à noite? Eu amava ir ao Bingo Augusta. Sinto falta mesmoâ€, protesta.
“Para resumir? A gente é o que todo mundo quer ser. E essa região é maravilhosa, bem melhor do que Ipanema e Leblon. Lá existe charme também, claro. Mas… de biquini? Aqui tem elegância, dinheiro, tem consumoâ€, lança Ale Farah, a mais alta (beeeem alta), vestidinho preto, bota camurça bege cano médio, unhas vermelhas, solteira, a mais despachada.
“Mas o melhor de tudo é que a gente não se leva a sério. A gente se diverte fazendo o programa, com o qual a gente não ganha dinheiro. É um hobbyâ€, dizem todas, ao mesmo tempo (ou não).
Urblog acompanhou os bastidores de Gardens Girls ontem à noite, quando as meninas conversaram com garden boy Marcelo Sebá. Sebá de Sebastião. Carioca do subúrbio, capricorniano, talentoso e sem papas na lÃngua. Mora na Consolação, bem perto da rua Oscar Freire, o coração da cidade mais empolada da cidade…
Antes de começar o programa, todos comentam sobre o incômodo calor brasileiro
Valendo… Começa mais uma edição de Garden Girls
E o programa vai chegando ao fim, depois de uma hora e pouco de papo..
Ah, sim, hoje é dia da consciência negra.
Todo (ou quase) morador da capital sabe identificar os representantes do movimento Hare Krishna que estão sempre espalhados pelas ruas, pregando e pedindo colaborações. Usam roupas largas e claras, à s vezes esvoaçantes, carecas e de rabo de cavalo, livrinhos nas mãos, abordagem delicada. São os chamados vaishnavas, que consideram Sri Caitanya Mahaprabhu uma encarnação do Senhor Krishna. Nos últimos anos, no entanto, os sempre afáveis e insistentes Hare Krishnas ou vaishnavas se globalizaram, se modernizaram… E continuam pregando pelas ruas, claro. E já falam em Deus, em vez de usar nomes hindus complicados que poucos entendem.
Shadu nasceu em Lima, no Peru, com outro nome (que hoje consta só do seu registro de nascimento, já que agora só usa o nome hindu). Adotou São Paulo e, aos 36 anos, mora num templo e leva, diariamente, a filosofia para as ruas da cidade. Para quem se interessa pela conversa, Shadu (que não é totalmente careca, embora tenha o rabinho, porque diz sentir muito frio), avisa logo que tem perfil no Orkut, dá o numero do seu celular e a home page do templo em que mora, em Pindamonhangava (a 160 km da capital), a fazenda Nova Gokula, que tem também pousada para quem quer passar um fim de semana em paz espiritual, na busca da consciência, do eu interior.
Vaishnava, tradição monoteÃsta com milhões de seguidores na Ãndia e no Ocidente, é o tronco principal do “complexo filosófico†chamado hinduÃsmo. Os seguidores não comem carne de nenhum tipo e distribuem alimentos lacto-vegetariano à s populações menos favorecidas. É o Comida para a Vida… Shadu avisa que a tecnologia não pode ser ignorada, deve ser usada a favor do homem, como instrumento da evolução espiritual. Mas jamais para escravizar o ser humano. Hare Krishna / Hare Krishna / Krishna / Krishna / Hare Hare / Hare Hama / Hare Hama / Harama / Hare Hare / Hare Hamaaaa….
Há vários lugares em que é fácil ver a São Paulo desenvolvida, como se inserida no chamado primeiro mundo. Um deles é a Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. Ali, a Paulicéia chega ao ponto máximo do charme cosmopolita letrado. No café, pessoas de todos os tipos e tribos parecem figurantes de um filme francês. E fazem fila para prestigiar o autor de um novo lançamento. Aliás, a livraria Cultura - todas as noites - e o Itaú Cultural – à s segundas – são excelentes locais paera quem tem tempo livre e procura uma boa boca-livre. Além de saborear uma agradável leitura – é só fingir que vai comprar e está escolhendo, claro – qualquer um pode bebericar vinho, prosecco e uÃsque (hoje, no lançamento de um livro de Direito, tinha) e saborear alguns petiscos de modo despretensioso. Basta fazer um ar blasé e fingir interesse pela nova obra, folheando, entrando e saindo da fila de autógrafos…
Na noite de lançamento de um livro sobre Direito do Trabalho, o café lotou de engravatados, meninas com cara de estagiárias de Direito, mulheres com jeitão de funcionárias públicas de fórum e senhores com pinta de juÃzes e desembargadores. Uma senhora tenta puxar conversa com a blogueira. E logo informa que, ali, bem à nossa direita, todo compenetrado, está o juiz taltaltal (com jeito empolado, como se ele fosse bem importante – e deve ser).
E nos demais espaços da grande loja cultural, jovens, crianças e descolados lêem, sentados nos pufs, como se não houvesse amanhã. Ou como se a cidade nem fosse tão apressada quanto dizem por aÃ. É que São Paulo, à s vezes, tem cara de Paris.
…Outras vezes de Tókio, Dubai, Bagladesh, Miami…
Sim, além de pessoas depressivas, São Paulo está infestado de edifÃcios doentes. São, basicamente, prédios que não recebem luz natural. Ou recebem muito pouca.
Um estudo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da (FAU) “aponta que 30% a 40% da energia elétrica consumida pelos edifÃcios comerciais da cidade são para geração de luz artificial, enquanto nas capitais da Europa não ultrapassam 14%â€. Enquanto o “iluminado†céu de Londres emite 7.000 lux, o céu nublado – NUBLADO, como hoje - de São Paulo emite mais de 14.000 lux, sendo que os paulistanos consomem (pagam) mais que o dobro de energia elétrica que os londrinos.
Ou seja: ao “curar†um edifÃcio doente, você ainda pode economizar na sua conta de luz. Um dos tratamentos mais acessÃveis é distribuir janelas por todos os lados da casa e do escritório. “Forros côncavos e dutos de luzâ€, segundo o pessoal da FAU, são algumas soluções. E as clarabóias. Que belo nome tem algo tão especÃfico. CLA-RA-BÓ-IA. Aqueles buracos no teto e nas paredes que, em geral, têm vidro e estão em locais sem janela. Sim, e o tipo de janelas também é muito importante. Aquelas em que metade está sempre fechada (de correr, em geral de alumÃnio ou algo assim) são péssimas para um prédio adoentado. Pééééssimas.
Outra boa opção, embora mais cara, é instalar placas de energia solar, que acumulam a energia nos dias de sol e depois a transforma em energia elétrica. Há alguns anos, na época do apagão, fiz uma boa pesquisa na cidade e descobri que são mais baratas e fáceis de encontrar do que se pode imaginar. Logo Urblog traz uma cotação bacana – e atual - na linha: “Urblog por uma cidade sustentávelâ€. Por enquanto, São Paulo tem uma “insustentável leveza†metropolitana.
A seguir, clarabóias em locais de trabalho… Os locais de trabalho tÃpicos são mesmo bem doentes. E as pessoas ficam meio verdes depois de um tempo por conta da superexposição à quela luz branca (econômica e feia). Lâmpadas fluorescentes. Esse trecho é homenagem à paulistanÃssima Caroline Minem, que faz campanha contra a luz branca – que deixa as pessoas verdes - nos ambientes de trabalho e descanso. É isso aÃ, Minem, a luta continua!
Quer saber mais sobre arquitetura sustentável? Entra aqui
PS: Para este post, pensei no tÃtulo “Quando o sol baaaater…†inspirado naquela música… Mas, acho que Urblog anda se inspirando demais em musiquinhas das décadas de 80 e 90, né? A leitora Simone Bortolotto gosta. Porque, diz, aprende a cantar a letra certa, que sempre imaginou ser outra. Depois desse comentário dela, a blogueira ficou em dúvida se os trechos de música que viraram tÃtulos aqui são reais ou inventados. Sabem como? A gente ouve a música, nunca leu a letra e acha que o cantor está dizendo uma coisa mas é outra parecida?
Ai, mas não vai dar. Tem outra do Beto Guedes… Sobre janelas… Ai, e outra que a Clçara Nunes Cantava. Clara Nunes, Clarabóia. Foi. TÃtulo de música de novo. Juro que vai ser o único da semana. Prometo.
Sucesso. Troque paredes e quadros (de gosto duvidoso) por janelas, janelas. Muitas:
O tetão estava lá, sem fazer nada, fechado, triste, doente, enfadado… Olha que beleza ficou! Isso sim é vida saudável para tetos e edifÃcios em geral
O Garfolândia que perdoe o Urblog, mas é impossÃvel explorar Sampa sem falar de comida.
Gisele Brito almoça fora de casa todos os dias, como boa parte dos paulistanos, que estuda e/ou trabalha longe do bairro em que mora. Tornou-se, ao longo dos anos, uma especialista em restaurantes por quilo. Dotada de bom faro jornalÃstico, Gi criou um ranking dos quilos da Paulicéia. Ranking, quem sabe, não seja o melhor termo. Mas a experiência prática a transformou em crÃtica gastronômica especializada em refeições por quilo, que não ultrapassam R$ 20. “Mas também já fiquei bem satisfeita com um prato que custou R$ 3,50â€, avisa.
Gisele promete levar o Urblog aos melhores e piores da sua lista. O quilo da estréia, no entanto, é o retrato do Brasil. E de São Paulo, claro. Um restaurante, dois cardápios, dois preços. Mas sem salões separados para ricos e pobres – ufa! À esquerda, o corredor de pratos disponÃveis para quem escolhe a opção mais em conta. À direita da cordinha, um buffet mais “completoâ€, digamos. É o abismo social na hora do almoço da metrópole.
Quem tiver sugestões de restaurantes por quilo que chamem a atenção por algum motivo, envie para julianavilas@gmail.com ou urblogepocasp@gmail.com
A fachada
A fila da esquerda
A fila da direita
No centro de São Paulo, dorme sujo que se preze dorme cochila à luz do dia. A seguir, confira um despretensioso ensaio fotográfico só com “indivÃduos em situação de rua†na região central. Todos deitados, de olhos bem fechados – vai saber se estão dormindo mesmo? Esta idéia é uma homenagem a Joe Gould, o mendigo mais famoso de NY, preferido do repórter americano Joseph Mitchell. Joe era formado em Harvard. Creio que os nossos não sejam. Ou são. Como estão descansando os olhos, não podemos saber.
Na Rua Conselheiro Crispiniano, um grupo repousava enfileirado na porta de uma loja fechada qualquer. Ao lado, a cadela amiga – porque dorme sujo que preze sempre tem um cão amigo para protegê-lo – alimentava as crias [5 filhotes]. Cena peculiar, por volta das 11h00 da manhã. Afinal, alguém tem que comer nesse grupo. De preferência, os recém-nascidos. O melhor: observar a reação dos transeuntes diante da miséria humana. Ou canina. “Mas cachorro é o mais fiel mesmo, né? Olha só issoâ€, comenta uma senhora. “Não sei de quem sinto mais dó, se dos cachorros ou dos homensâ€, completa ela.
São Paulo é uma cidade que não permite o azar. Ou, os jogos de azar. Pelo menos, em tese. As casas de bingos, fechadas no Brasil desde 2002, só podem funcionar na clandestinidade. Bingo, inclusive, já virou até tema de CPI. Jogar causa dependência. Tudo bem, né? Cigarro, cachaça, sexo e compras também… Um prédio enorme de fachada azul, um dia foi uma loja de calçados chamada CID (há uns 20 anos), depois virou um belo bingão (Bingo Cruzeiro do Sul). E do jeito que fecharam ficou. Com jeito de prédio desativado. Ahã, imagina, estava ativÃssimo. A casa de bingos gigante funcionava normalmente - com portas fechadas e entradinha secreta na lateral. Até hoje, quando o pessoal da prefeitura foi lá e lacrou tudo, mandou prender e soldou as portas de ferro.
No entorno do prédio, do lado de fora, como sempre, as barracas e vendedores de milho, churrasquinho de gato, dogão e afins, além dos dorme-sujos locais funcionavam a todo o vapor. E no meio do caos, sob uma plaquinha de sulfite onde se lia: “lacradoâ€, a jogatina continuava. Livre, leve e solta, sob a garoa paulistana. Só que era caretado, com toalhinha verde de pelinhos e tudo.