Juliana Vilas

Juliana Vilas, 29, codinome "Pássara", é repórter. Do tipo que gosta de "medir ruas" e ouvir histórias de gente de todos os tipos. Paulistana da zona norte, já morou em vários becos da cidade: Santana, Tremembé, Jaçanã, Tatuapé, Paraíso, Água Branca, Aclimação, Paulista e Bela Vista. É uma espécie de garimpeira urbana de "causos", com ou sem finais felizes.



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  • São Paulo é uma cidade que não permite o azar. Ou, os jogos de azar. Pelo menos, em tese. As casas de bingos, fechadas no Brasil desde 2002, só podem funcionar na clandestinidade. Bingo, inclusive, já virou até tema de CPI. Jogar causa dependência. Tudo bem, né? Cigarro, cachaça, sexo e compras também… Um prédio enorme de fachada azul, um dia foi uma loja de calçados chamada CID (há uns 20 anos), depois virou um belo bingão (Bingo Cruzeiro do Sul). E do jeito que fecharam ficou. Com jeito de prédio desativado. Ahã, imagina, estava ativíssimo. A casa de bingos gigante funcionava normalmente - com portas fechadas e entradinha secreta na lateral. Até hoje, quando o pessoal da prefeitura foi lá e lacrou tudo, mandou prender e soldou as portas de ferro.

    No entorno do prédio, do lado de fora, como sempre, as barracas e vendedores de milho, churrasquinho de gato, dogão e afins, além dos dorme-sujos locais funcionavam a todo o vapor. E no meio do caos, sob uma plaquinha de sulfite onde se lia: “lacradoâ€, a jogatina continuava. Livre, leve e solta, sob a garoa paulistana. Só que era caretado, com toalhinha verde de pelinhos e tudo.

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