Juliana Vilas

Juliana Vilas, 29, codinome "Pássara", é repórter. Do tipo que gosta de "medir ruas" e ouvir histórias de gente de todos os tipos. Paulistana da zona norte, já morou em vários becos da cidade: Santana, Tremembé, Jaçanã, Tatuapé, Paraíso, Água Branca, Aclimação, Paulista e Bela Vista. É uma espécie de garimpeira urbana de "causos", com ou sem finais felizes.



  • Vida Pechincha
  • Sampa meu Lugar
  • SP-Paris


  • 01 de Dezembro de 2008

    Sim, ela estĂĄ viva. E bem!

    Quem leu dever lembrar-se muito bem dela. E quem nĂŁo leu deve ter ouvido falar. Em 1996, ValĂ©ria Polizzi, entĂŁo com 22 anos, lançou o livro Depois daquela viagem. A obra, que marcou a adolescĂȘncia de muita gente que pouco sabia sobre o vĂ­rus da AIDS, contava de forma clara e detalhada como uma garota de 16 anos contraiu HIV na primeira transa de sua vida, ao viver um romance durante uma viagem de navio. A franqueza e a coragem da moça, que se declarou soropositiva quando ainda existia tanto preconceito e ainda se falava em “grupos de risco” foi louvĂĄvel – no mĂ­nimo. Hoje, ValĂ©ria tem 37 anos. E trabalha na AgĂȘncia de NotĂ­cias da Aids. Urblog conversou com ela, uma moça muito simpĂĄtica e animada.
    ValĂ©ria resumiu sua vida nesses 20 anos. Sem afetação, sem posar de vĂ­tima. Um exemplo e tanto. Rindo, contou que, ao iniciar uma conversa com um novo conhecido, costuma dizer logo que Ă© soropositiva. “Amigos atĂ© tiram sarro, dizem que eu me apresento dizendo: sou ValĂ©ria e tenho HIV”, conta. HĂĄ 20 anos, receber um exame de HIV com resultado positivo era como ler uma sentença de morte. E ValĂ©ria passou aglum tempo “esperando a morte chegar”. Mas como nĂŁo chegou, passou a viver a vida, viajar (Ă© o que ela mais gosta de fazer; jĂĄ conhece quase o mundo todo) e a trabalhar com prevenção, ministrando palestras Brasil – e mundo - afora. Depois daquela viagem, fez muitas outras. Casou com um austrĂ­aco (sem o vĂ­rus), morou em Viena com ele, depois viveu no Brasil e se separou. Aos poucos, ela passou a fazer planos de mĂ©dio e longo prazos. “Eu nunca planejava mais do que dois meses porque nĂŁo sabia se estaria viva. Por isso demorei para prestar vestibular”. Depois de mais de 10 anos vivendo bem com o vĂ­rus, ValĂ©ria entrou no curso de Jornalismo. E concluiu.
    Acreditava-se, nas dĂ©cadas de 80 e começo dos anos 90, que homossexuais e usuĂĄrios de drogas injetĂĄveis tinham mais chance de contrair o vĂ­rus, jĂĄ que “se expunham ao HIV”. Hoje, no entanto, todos sabem que qualquer pessoa estĂĄ sujeita. A sĂ­ndrome de imunodeficiĂȘncia adquirida (AIDS), transmitida por meio de relaçÔes sexuais desprotegidas e de transfusĂŁo de sangue, nĂŁo Ă© doença de delinqĂŒentes e transviados. Nem de pessoas desinformadas.
    Uma pesquisa inĂ©dita da Secretaria do Estado da SaĂșde mostra que a incidĂȘncia da infecção por HIV entre homens com atĂ© 11 anos de estudo saltou de 15% para 27% nos Ășltimos 10 anos. Por outro lado, o nĂșmero de novos casos de AIDS caiu entre as pessoas de menor escolaridade no mesmo perĂ­odo. A boa notĂ­cia: entre 1997 e 2007, o total de diagnĂłsticos de AIDS no Estado de SĂŁo Paulo caiu de 10.496 para 4.797 novos casos. Uma possĂ­vel explicação para isso Ă© que pessoas casadas ou que tĂȘm relação estĂĄvel nĂŁo usam camisinha. De acordo com um estudo do MinistĂ©rio da SaĂșde, 38% das pessoas casadas usaram preservativo na Ășltima relação sexual. JĂĄ entre os jovens de 15 a 24, sĂł 50% transaram com camisinha.
    Como a sobrevida aumentou muito nos Ășltimos anos – e ValĂ©ria Ă© prova viva disso – muita gente começou a relaxar na prevenção e a tratar AIDS como pneumonia. Para mostrar que nem tudo sĂŁo flores no mundo do HIV, ValĂ©ria destaca a lipodistrofia, doença causada pelo uso do coquetel que gera perda de gordura em certos locais do corpo e acĂșmulo em outros. Ela mostrou o braço (na ĂĄrea do cotovelo) bem mais magro do que o normal, onde nĂŁo hĂĄ gordura. Por conta desses efeitos colaterais dos medicamentos, o Hospital EmĂ­lio Ribas acaba de inaugurar um ambulatĂłrio de cirurgia plĂĄstica para que os soropositivos possam se livrar da lipodistrofia – ou, pelo menos, amenizar os efeitos.

    E eu, blogueira-repĂłrter, confesso que fiquei particularmente emocionada ao encontrar a primeira portadora do vĂ­rus que falou tĂŁo abertamente sobre isso comigo. Quando li o relato dela, estava com os hormĂŽnios Ă  flor da pele, pensando seriamente em sexo, e fiquei bem mais esperta quanto ao uso de preservativos. Na prĂĄtica, ela me disse: “Se liga, pode rolar com vocĂȘ tambĂ©m. Pode acontecer com qualquer pessoa”. Sem querer, ela deve ter evitado vĂĄrios casos por aĂ­. Agora, leitores, peço licença para o momento tietagem. Sim, a blogueira, que lembra atĂ© hoje de detalhes do livro devorado hĂĄ cerca de 15 anos, posou ao lado de uma ValĂ©ria Polizzi meio pasma, achando tudo curioso, como que surpresa e satisfeita por ver, mais uma vez, que seu relato despretencioso alcançou mais gente do que ela poderia imaginar. Em tempo: ela escreveu o livro sĂł para matar o tempo em que ficou de repouso para se curar de uma tuberculose contraĂ­da nos Estados Unidos um ano depois de descobrir que tinha HIV.

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    comentĂĄrios dos leitores (10)

    1. vanessa

      1 de Dezembro de 2008

      Nossa eu lembro do livro e da historia.
      Acho que ela Ă© um exemplo.

    2.  
    3. Dia Mundial Contra Aids - Resultado da Blogagem Coletiva » Ladybug Brasil - SobrevĂŽos, descobertas, achados.

      2 de Dezembro de 2008

      […] Urblog […]

    4.  
    5. Ralfus Marcel de Carvalho

      3 de Dezembro de 2008

      Ola amigo tudo bem??
      Estou aqui para dizer que sempre leio seus artigos e para divulgar o cd da Minha Banda que se chama Bagatela da cidade de Taubate SP, estou enviando o link para quem quiser abaixar as musicas E PEDIR PERMISSÃO PARA DIVULGAR NO SEU BLOG.

      http://bandasdegaragem.uol.com.br/hotsite/index.php?id_banda=14894
      entre em discografia para baixar as musicas.

      muitas felicidades e um otimo natal e um maravilhoso 2009 para voce e familiares

    6.  
    7. Ju Vilas

      3 de Dezembro de 2008

      Ei, Ladybug! Até que enfim o Urblog consegue entrar numa blogagem coletivaaa. Eeeeeeeeeeba! beijos

    8.  
    9. Gisele Brito

      3 de Dezembro de 2008

      Bacana o tema.Bacana a matĂ©ria.Bacana o texto. Mostra bem a polivalĂȘncia (palavra vĂ©ia nĂ©, agora se usa mais multi_qualquer coisa)de estilo da repĂłrter. Porque o mundo ñ Ă© sĂł palhaçada e desgraceira, nĂ©?
      Mandou bem, Ju!

    10.  
    11. greysugar

      11 de Dezembro de 2008

      TambĂ©m me lembro bem da ValĂ©ria e do livro. Ótimo post para saber que ela continua bem e atuante.

    12.  
    13. Claudia Regina

      8 de Abril de 2009

      Foi muito bom vĂȘ que ValĂ©ria Polizzi estĂĄ viva e muito bem pois lĂ­ o seu livro c/ 17 anos e foi o melhor paradidĂĄdito que lĂ­ atĂ© hoje!!! olhando para ela nem parece q ela tem, essa doença pois seu rosto Ă© de alguĂ©m muito sadio!!! PARABÉNS VALERIA PELA SUA VONTADE DE VIVER!!!

    14.  
    15. Maria de Jesus Araujo

      9 de Abril de 2009

      Eu também li o livro dela.
      Tinha criosidade saber se ela estava viva ou nĂŁo.

      SUCESSO PRA VC!!!

    16.  
    17. Maria de Jesus Araujo

      9 de Abril de 2009

      SĂł para corrigir, CURIOSIDADE.

    18.  
    19. Show!!!

      10 de Setembro de 2009

      muito bommmmmmmmm…. tava curiosa pra saber como a Gabriela Polizzi estava… excelente saber que estĂĄ bem.. =) vlw pela materia!!!!!!

    20.  
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