Serra elétrica ou A cidade partida ao meio
Briga boa na e sobre a cidade de São Paulo. De um lado, cicloativistas e pessoas que, também preocupadas com (i)mobilidade urbana, são mais sensÃveis à s agressões ambientais, ao excesso de cimento, ao estilo não-humano que a metrópole vem adquirindo mais e mais. Do outro: prefeito, governador, algumas empreiteiras e as equipes do cimentão, que estão preocupadas com os motoristas de carros que ficam horas parados e com os que ainda este ano vão comprar automóveis com IPI reduzido. E depois devem ficar parados na hora do rush também.
Tudo começou com o Programa de Desenvolvimento do Sistema Viário Estratégico Metropolitano de São Paulo, uma proposta para diminuir os congestionamentos na cidade. O projeto, dividido em dois grandes pacotes de obras, inclui a criação de uma avenidona paralela à Marginal do Rio Tietê – com 17,5 km. de extensão, além de um túnel que deve ligar as avenidas Cruzeiro do Sul e Engenheiro Caetano Ãlvares e mil outras novidades quentes. Governo do Estado e Prefeitura devem investir, no total, R$ 4 bilhões no Programa. O objetivo é tirar o excesso de carros do centro. E conforme estava previsto, as obras já começaram – e devem terminar em 2010. Boas intenções, em tese. Mas é preciso analisar os detalhes e, sobretudo, o viés ideológico disso. Urblog gostou especialmente do termo citado no Apocalipse Motorizado : carrocracia paulistana.
Não é preciso nem fazer esforço para imaginar como a cidade vai ficar durante as obras (uia) e depois. Mas os “olheiros das ruas†já fizeram projeções e, sobretudo, denunciam o “massacre da Motor Serraâ€. Ãrvores centenárias do canteiro da Marginal (19 hecatres nas margens do rio) foram arrancadas sem dó nem piedade no fim de semana. Dizem que vão replantar (ahã), mas o resultado pode estar numa equação fácil: mais asfalto (quente), menos canteiros, menos verde, menos solo, mais enchentes! Uia!

ANTES DE ANTEONTEM: com árvores – por Ecourbana

HOJE: só cotocos de árvores - por Ecourbana

AMANHÃ: MEEEEEEEEDO
E algumas pessoas resgistraram o massacre dO Serra elétrica:

Luddista
Andre Pasqualini fotografou horas de massacre – sangue e serra elétrica na madrugada
Outra questão polêmica é o Projeto 671/2007, espécie de Plano diretor da capital paulista. Ontem rolou protesto na Câmara, o prefeito saiu do debate porque tinha encontro marcado com o motorSerra… A discussão está quente…
Quer saber mais, participar, protestar e creditar? Visite:
Preseva São Paulo e a galeria do Bruno Ianoni:

24 de Junho de 2009
A obra de expansão da Marginal é contrária ao plano Diretor em vigor e representa mais um problema para a cidade gerir no futuro, quando estaremos discutindo (ainda) o que fazer com o Minhocão e com as pistas da Mariginal Tietê! Impermeabilizar o que resta da várzea do rio, retirar as árvores, que amenizavam a poluição, o efeito estufa e as enchentes e bloquear ainda mais o acesso ao rio é tudo de mais atrasado que existe em urbanismo. Tudo isso para ganhar um aumento de 35% na velocidade média dos automóveis (não se sabe por quanto tempo) que hoje é de 10km/h na hora do rush…pra mim não faz o menor sentido, apesar de ser um dos “beneficiados” dessa obra criminosa que deixará mais uma cicratriz na pobre São Paulo.
21 de Julho de 2009
Oi Juliana. Ótimo texto e considerações bastante oportunas. Quando puder dê uma olhada no que eu penso sobre o assunto: http://twurl.nl/4eikyy
E veja neste post (role um pouco a página) um exemplo do que poderia ter sido feito com a Marginal em vez de aumentar as pistas: http://twurl.nl/rkfd10