Juliana Vilas

Juliana Vilas, 29, codinome "Pássara", é repórter. Do tipo que gosta de "medir ruas" e ouvir histórias de gente de todos os tipos. Paulistana da zona norte, já morou em vários becos da cidade: Santana, Tremembé, Jaçanã, Tatuapé, Paraíso, Água Branca, Aclimação, Paulista e Bela Vista. É uma espécie de garimpeira urbana de "causos", com ou sem finais felizes.



  • Vida Pechincha
  • Sampa meu Lugar
  • SP-Paris


  • 22 de Julho de 2009

    Todo mundo quer fazer humor na TV

    Profissão atual: ilustrador e animador de pista de festa infantil


    Profissão dos sonhos: assistente de palco ou qualquer coisa próxima de “humoristaâ€


    Nome fantasia da mãe: Dona Suvaquina (?)


    Idade: não diz (?)

    Compõe, canta, dança e representa. Ele éééé: Homem Sovaco. Ou mais um tentando realizar o sonho na “selva de concreto e açoâ€â€¦



    20 de Julho de 2009

    Sampamusicalmente

    Um dia Luiz disse que logo seria apresentado como “o pai de…†e não mais como “Luiz Chagaz, guitarrista”, simplesmente. Quem teve a chance de conhecer a paulistaníssima banda Isca de Polícia, que contava com o lendário Itamar Assumpção, conhece Luiz, o pai, e agora comemora com ele o sucesso dos filhos. Para alguns, no entanto, que nasceram beeeem depois da Isca, Luiz pode até ser mesmo o pai da Tulipa e do Gustavo, simplesmente. Cada um com luz e talentos próprios. E hoje, num raro momento público, pai e filhos se encontram no palco do Grazie a Dio! para provar que a terra da garoa gera músicos excelentes. E escritores jornalistas (Luiz), e ilustradores (Tulipa)…

    Luiz tirou a guitarra do saco e destila todo o veneno de que é e sempre foi capaz esta noite. Tulipa canta e encanta. E Gustavo, o filho mais velho, debulha nas cordas, tal qual o pai. A flor do trio foi selecionada para o projeto Prata da Casa, com curadoria de Patrícia Palumbo. E lança o primeiro disco logo mais, no segundo semestre. Hoje, com a ilustre presença do pai abrilhantando o palco e a noite da cidade, Tulipa encerra temporada na casa de shows da Vila Madalena. São Paulo aplaude quem faz música de qualidade. E promove o grande encontro da nova sofra com a turma mais…experiente, digamos…


    FILHO DE ISCA… O guitarrista Luiz olha a foto de Tulipa, a filha cantora orgulho do pai.

    Grazie a Dio! Rua Girassol, 67 – Vila Madalena



    16 de Julho de 2009

    Olho da rua

    São oito pessoas, dois adultos e seis crianças de diferentes tamanhos. Uma lona preta, doada por alguém que passou e ficou tocado, faz as vezes de telhado. Todos as crianças têm nomes duplos, imponentes. A família morava na Vila Penteado, numa casa igualmente lotada de parentes e agragados de todos os tipos. Mas a dona do teto expulsou o casal e as crianças. E o casal, sem emprego, foi para o olho da rua. E as crianças… Ah, elas ainda se divertem com tudo. Mesmo tendo como quintal uma movimentada curva, sob o viaduto Pacaembu, onde os caminhões passam a milhão. Mesmo tomando banho todos os dias num canto estreito da calçada. Mesmo sem ir à escola. Ao menos, amenizam o frio do inverno com o calor do aglomerado humano durante a noite. Ao menos… Sorriem com aquele sorriso escancarado de quem não tem tanta consciência do olho da rua. Ou das costas do viaduto. Por enquanto…



    14 de Julho de 2009

    Yes, temos nosso Michael

    Ele nem imaginava que sabia cantar. Aos 10 anos de idade, é aluno de trompete da Organização Social de Cultura Santa Marcelina na Vila Curuçá. Um dia, a professora de canto do projeto o convidou para participar do coral. A primeira apresentação pública do nosso Michael Jackson paulistano está registrada nos vídeos abaixo, gravados pela jornalista Cristiane Batista, parceira do projeto e amiga do Urblog. Reparem como ele mesmo se surpreende com o resultado.

    A Organização Social Santa Marcelina faz um trabalho bacana de formação musical com 6 mil mil crianças e jovens de 6 a 18 anos, em 17 pontos pólos da cidade de São Paulo, principalmente nos Céus.



    08 de Julho de 2009

    Trilha sonora do infortúnio

    São vários os sons urbanos, mas os alarmes falados de algumas empresas de segurança são os mais irritantes de todos. A principal do ramo é a Car system, mas há outras, muitas outras. Não sei bem o que ocorre, mas o carrao está lá, sozinho, tocando algo do tipo em altíssimo som: “esse veículo está sendo roubado, favor ligar para 0800 XXXXXâ€. Provavelmente alguém esbarra e esse aviso dispara.


    Hoje, uma moto passou a tarde toda tocando essa trilha sonora do infortúnio na Rua do Bosque. Às 14h, estava lá a moto berrando. Às 16h20, continuava. Às 1700, ainda não tinha acontecido nada. Dura um minuto seguido o aviso. Uma frase repetida várias vezes. Aí vem um intervalo de silêncio que deve durar mais um minuto e depois volta o aviso terrível. A moto continuava ali, paradinha, ninguém por perto. E o aviso alto, portentoso, estorvando todo mundo que não podia sair dali. E a empresa não apareceu. Ninguém ligou, decerto. O dono da moto não apareceu. Devia estar trabahando ele. E a moto, que berrava sozinha, foi ignorada, antes de virar “o estorvo da tarde†para seguranças e fiuncionários do fórum trabalhista e demais empresas da região. Quem merece isso?


    Se você teve um dia bom, tranquilo demais e gostaria de se irritar um pouco antes do feriado, confira os vídeos. Um foi feito às 15h00. O segundo, às 17h00.





    07 de Julho de 2009

    Massa, grossa, fina ou recheada?

    São Paulo está lotada de comedor de pizza. Tanto que dia 10 de julho comemora-se o “Dia da pizzaâ€. Gente! Tudo bem, é justo: a Associação (tem associação e federação para tudo aqui também, né?) das Pizzarias Unidas de São Paulo garante que são consumidas mais de 370 milhões de pizzas por ano só na capital. É bem possível mesmo que isso não seja exagero. Conheço várias famílias que passam anos e anos jantando pizza no sábado, religiosamente. É, pizza em Sampa é religião, hábito quase sagrado mesmo. Pelo menos aqui seguem o rito direito, sem cometer pecados como em “certas capitais brasileirasâ€, onde as pessoas botam catchup na amiguinha e inventam variações com batata palha e afins. A paulicéia está em segundo lugar no ranking mundial de consumo de pizzas. Só perde para Nova York. Tsá? E a tal associação dos donos de pizzaria diz ainda que o faturamento do setor chegou a R$ 5 bilhões só na cidade de São Paulo no ano passado. Vão comemorar efusivamente com festa na Moóca nos dias 10, 11 e 12.


    E depois de alardear essa cifra astronômica, um release do evento promovido por eles vem com a seguinte pérola: “Na ocasião, após o cerimonial de abertura da festa, que contará com várias autoridades dos governos municipal e estadual, será montada a maior pizza do Brasil, com 2,20 m de diâmetro e assada em forno gigante, construído especialmente para o evento. Depois de assada, ela será cortada em 500 pedaços, que serão vendidos a R$ 3 cada. Todo o dinheiro arrecadado com a venda da pizza gigante será doado a uma instituição carente da cidadeâ€. Até aí, tudo bem, tudo bonito, mas esse rico setor precisa mesmo divulgar isso? O colega Felipe Gil fez as contas: R$ 1,5 mil é o que pretendem doar. Miséria vai? Urblog acha que deveriam doar mais, ou doar pouco e não comentar com ninguém. Bom, seguem alguns números tãão tão quanto São Paulo em relação à pizza:


    - A cidade tem 5.895 pizzarias
    - Estão na cidade de São Paulo um terço dos comensais devoradores de pizza de todo o Brasil
    - O morador da capital paulita come tantas num ano, que se elas fossem colocadas lado a lado em linha reta, chegariam a 129 milhões e 500 mil quilômetros, o suficiente para ir e voltar à Lua 168 vezes. Se as pizzas fossem empilhadas, chegariam a uma altura de 370 mil metros, o equivalente a 41 Everests.

    De qualquer modo, acho que pode ser uma dica de passeio para o fim de semana esse evento tããão típico:

    1º SAMPA PIZZA - Festa de Rua em comemoração ao Dia da Pizza
    Abertura: dia 10/07, sexta-feira, às 18h30 (com a presença de autoridades dos governos municipais e estaduais de São Paulo e na sequência apresentação da maior pizza do Brasil). Noooooooossa! Neste dia, a festa se estende até às 22h00.
    Final de semana: Dias 11 e 12/07, sábado e domingo, das 11h00 às 21h00
    O que vai rolar: espécie de quermesse de um produto só: barracas com vários tipos de pizzas (tradicional, frita, cone, forno a lenha, forno a gás, quadrada, salgadas e doces). Local: Rua Catarina Braida, entre as ruas Taquari e Marcial – Mooca.



    06 de Julho de 2009

    Som branco negro amarelo…

    Porque tem coisas que você só vê – e ouve - em São Paulo. Onde mais no Brasil se pode encontrar um trio de cordas formado por um músico paraense, um santista e o outro do Acre, tocando Vivaldi na calçada de um bairro oriental?


    Domingo sem chuva, rua lotadas, calçadas idem. No ar, odor de rolinho primavera, camarão frito e tempurá. No supermercado que vende lichia, shimeji, sorvete de Melona, algas desidratadas e toda sorte de embalagens com desenhos coloridinhos, fila no caixa e respeitáveis senhores nipônicos aparentemente inconformados com a invasão ociental no que já foi reduto deles. Antes de virar ponto turístico, claro. Nas galerias, quase insuportável congestionamento de gente, sacolinhas e pechinchas. Em certo momento, o burburinho é abafado por Vivaldi bem executado. Lá está o trio de cordas Bachianos sob o hall de entrada de um banco, na rua Galvão Bueno. Em torno deles, uma plateia respeitosa dá uma paradinha na caminhada, curte e, claro, fotografa.


    Uma senhora nissei casada com um homem que parece descendente de italianos é fã dos músicos. Avisa que os acompanha porque gosta de tango – estilo eles também tocam de vez em quando. E que foram explusos de vários locais da cidade, comenta meio indignada.


    Antonio de Souza nasceu no Pará e toica violino, David Taumaturgo é do Acre e toca violoncelo. Caio Forster (viola erudita), 20 anos, nasceu em Santos e estuda música desde os 14 anos. Por meio de um projeto sócio-educativo de uma empresa, descobriu a vocação e aprendeu a técnica. Antônio, David e Caio se conheceram na rua. Precisamente na Avenida Paulista. “O projeto é também político. Queremos fazer as pesoas ouvirem e curtirem a música erudita, pouco ou nada popular no Brasilâ€, Caio explica.


    Mas os Bachianos estão tristes com a linha verde do Metrô. No ano passado, um segurança, na tentativa de impedi-los de tocar perto da estação Clínicas, quebrou o violoncelo. Esculhambação total. “O problema é que artista de rua não tem apoio. No nosso caso, ainda somos alvo de preconceito. Negros e nordestinos tocando música na rua? Somos vistos como mendigosâ€. Será? Caio garante que sim. E vai além: “O preconceito contra negros no Brasil é eterno, jamais vai desaparecer, pode diminuir, mas nunca sumir. Porque já chegaram aqui sujos e doentes depois de uma longa e tenebrosa viagem nos navios negreiros. Já chegaram demoralizados então, por mais que a gente consiga ser reconhecido, a discriminação é irreversível e culturalâ€, protesta.


    Por outro lado, a receptividade de quem passa e para para vê-los e ouvi-los tocar é ótima, como Caio admite. E a maioria adora um tango. Além das músicas da terra de Evita (onde nem preconceito tem porque não existe negros), as mais pedidas são: Bolero de Ravel e a Primavera de Vivaldi (As quatro estações), supostamente bem conhecida por aqui por causa de uma propaganda de sabonete que estava na TV há alguns anos.


    Mais sobre Bachianos? Aqui



    Uma das atmosferas mais típicas de São Paulo é a de uma pista fervendo, semi lotada, animadíssima, com luzes, sombras e odores peculiares. Em qualquer dia da semana, é possível encontrtar excelentes bailes, com música ao vivo ou discotecagem, para todos os gostos, bolsos e estilos. Ah, a famigerada noite paulistana… É quase uma atração turística da Paulicéia essa infininidade de opções que um sujeito tem quando resolve sacodir o esqueleto por aqui ou espantar o frio, ou dar um paquerê ou ir para a balada mesmo.

    Seria maravilhoso listar aqui todas as festas que podem rolar numa quarta feira em São Paulo, por exemplo. Pena que não cabe, são muitas. Tem as abertas, tem as secretas, as fechadas, as vips, as que exigem trajes especiais. Além disso, no Guia da ÉpocaSP você pode encontrar a balada que procura beeem antes de sair de casa.

    Mas Urblog também está aberto aos bailinhos e novos projetos de balada na cidade. Quem quiser, pode mandar a a baladinha da vez para ser citada, ou avaliada ou… chochada, numa parceria fantástica com o pessoal do Demooooo. Tsá?


    Urblog destaca hoje Chaka Hotnightz, que conta com as seleção de Akin, Brandão, Gerez, Granado e Nicolas – o Ponicz Crew. O projeto tem história: começou quinzenal no Milo Garage, virou semanal, voltou a ser quinzenal mas mudou de casa (foi para o Tapas Club) e agora é semanal, de novo. Às sextas. Sempre. Urblog não pode ser parcial, mas o leitor pode dar uma sacada no som
    para ter certeza se vale a pena ou se, no mínimo, os ouvidos não vão sofrer nas noites frias de sexta.


    E agora… Um climinha de pista para machucar os corações…