Juliana Vilas, 29, codinome "Pássara", é repórter. Do tipo que gosta de "medir ruas" e ouvir histórias de gente de todos os tipos. Paulistana da zona norte, já morou em vários becos da cidade: Santana, Tremembé, Jaçanã, Tatuapé, Paraíso, Água Branca, Aclimação, Paulista e Bela Vista. É uma espécie de garimpeira urbana de "causos", com ou sem finais felizes.
A lei antifumo funciona na capital. Pelo menos no primeiro fim de semana. Pelo menos nos locais – bares e casas noturnas - visitados por Urblog. Confira o balanço.
Sexta 14, dia em que a lei entrou em vigor. Desde a zero hora, o pub irlandês O’Malleys, nos Jardins, colocaria em prática uma ideia “simpática†para inibir fumantes teimosos: apagar os cigarros com pistolas d’água. Para a sorte de Ali Visserman, proprietário da casa, e certo azar da blogueira (que queria muito ver a pistola em ação), não foi necessário jogar areia água no vÃcio dos outros. Os frequentadores estavam bem comportados, saÃam de três em três para fumar e formavam civilizada fila na porta dos fundos.
Visserman, entretanto, questiona o repasse de responsabilidade. O governo cria a lei e os empresários vigiam os clientes para não levarem multa. Os clientes, claro, se não forem responsáveis, não pagam nada. Apagam o cigarro. Saem de cena. No Brasil, indivÃduo não costuma ser multado, só carros e empresas.
É fato, entretanto, que os ambientes fechados estão mais agradáveis sem fumacê.
Visserman fala um pouco da ideia das pistolas, das responsabilidades do governo e das empresas, dos clientes obedientes do O’Malleys. Fala só um pouco porque a entrevista foi interrompida por clientes-enbriagados-encrenqueiros que se negavam a pagar uns copos cheios que conseguiram “na faixa†retirados da bomba de chopp.
Era fácil notar que a lei antifumo já estava em vigor. Bastava observar as calçadas. Lotadas de pessoas, mesinhas e… bitucas (guimbas?) no chão. No Tapas club, na rua Augusta, os convivas chegavam, pagavam a entrada antes, ganhavam um carimbo na mão e ficavam livres para sair e entrar. Não tinha fila para fumar, mas tinha para pagar na entrada da balada. Quem fumaria quatro cigarros na noite pegou uma fila só, em vez de cinco. OK. Mas a calçada às 5horas era um bar paralelo - forrado de bitucas - com os animados fumantes que foram saindo e ficando por ali mesmo. Fim de festa, fim de feira.
Opessoal do Teatro Coletivo, na Consolação, arrumou uma saÃde emergência para tabagistas. Sem filas, sem risco de espertinho sair sem pagar, um dilema foi, aparentemente ao menos, resolvido.