Pauline é francesa de Montpelier, tem 22 anos e mora em São Paulo há 4 meses. Estuda Administração na FGV e tem um namorado brasileiro, que conheceu aqui. “Eu queria sair da casa dos meus pais de qualquer jeito. Pensei em morar em algum paÃs da América Latina. Aà conheci uma turma de brasileiros que estavam na França. Ficamos amigos e isso me ajudou a decidir onde morar. Já que os conhecia, eu vim. E estou gostando de São Pauloâ€, explica.
Pauline mora na casa de uma amiga (por sinal, a Loira do Banheiro, a lenda urbana viva, que mora – claro! – em SP e aluga cômodos em sua casa para receber visitantes), no Sumaré. Quando chegou aqui, Pauline não sabia falar nada – ou muito pouco - de português. Mas está aprendendo rápido. Pretende terminar o curso superior na Paulicéia e já criou hábitos paulistanos, embora diga que não gosta de cidades tããão grandes assim. E que sofre um pouco para se locomover. Num percurso de carro, à noite, entre a Avenida Pompéia e a estação ClÃnicas, na Av. Dr. Arnaldo, Pauline narrou suas impressões sobre a megalópole que escolheu para viver antes mesmo de visitar outras cidades do paÃs (mentira, ela passou um fim de semana no Rio de Janeiro). A cada quatro meses, Pauline volta ao Urblog para contar suas impressões de forasteira na capital paulista.
*TÃtulo inspirado em música de Serge Gainsbourg (cantada por Jane Birkin). Sim, ele meio nonsense mesmo…Assim comoos sentimentos humanos
“Já tentei parar porque, em certos meses, gasto tanto com telefone, internet e viagens que fico no prejuÃzo. Mas não consigo parar. Quando me dou conta já estou de novo fazendo buscasâ€, declara Lindalva. Xereta, sua alcunha, nasceu justamente desse “vÃcio’ de procurar desaparecidos. E sem cobrar nada, só pelo prazer de ajudar pessoas que nem conhece. Em quatro anos, Xereta já achou cerca de 300 pessoas. A busca mais longa durou um ano e meio. Os métodos, ela guarda a 7 chaves. Tem uma rede fundamental de fontes e conta com o apoio da internet. Escolhe os felizardos aleatoriamente numa lista de pessoas que procuram filhos, maridos e parentes. E só depois de encontrar os desaparcidos avisa os que procuram. “para n~]ao gerar expectativas demaisâ€. Os reencontros costumam arrancar lágrimas de todos, inclusive de Xereta. “Sentir um pouco da emoção de duas pessoas que se reencontram depois de 50 anos sem notÃcias um do outro não tem preçoâ€, garante.
Tudo começou quando Lindalva resolveu achar uma tia desaparacida há 50 anos. Achou. E cismou que deveria doar essa emoção a outras pessoas, como um ato de solidariedade e altruÃsmo. Depois que aprendeu os macetes, não parou mais.
Casada, Lindalva tem uma filha de 21 anos e conta com o apoio da famÃlia para exercer o trabalho voluntário. É governanta na casa de uma famÃlia – e demora uma hora e meia de trem, metrô e ônibus para ir ao trabalho. Para voltar, na hora do rush, esse tempo costuma aumentar um pouco. E ao chegar em casa, depois do jantar, continua com suas buscas. “Não quero ganhar dinheiro procurando pessoas. Gosto do meu trabalho e tenho tudo o que desejei: um marido maravilhoso, uma filha ótima que faz faculdade de Biomédicas e muitos, muitos amigosâ€.
Claro. As pessoas que reencontram entes queridos graças ao trabalho de Xereta acabam se apegando à ela. O presente mais estranho que Xereta já ganhou dos seus “reaparecidos†foi um bode.
Merece. Ao conversar com Lindalva pessoalmente, nota-se que é, de fato, uma pessoa rara. Tem um jeito delicado de falar e se expressar, é extremamente sensÃvel e carinhosa. E dona de personalidade, muitas vezes, surpreendente. Pratica esportes radicais, por exemplo. “Eu fazia parte da turma que descia de rappel o viaduto da Sumaré, lembra? Pena que proibiramâ€, conta Xereta, que agora faz rafting, trekking e rappel fora de São Paulo, nos fins de semana. “A gente adora pegar estradaâ€, diz, referindo-se ao marido, cinco anos mais novo. Ao falar com ele por telefone, a voz de Lindalva fica mais suave e as palavras doces soam naturais, apaixonadas…
Mas que ninguém se engane. Tanto altruÃsmo, em Lindalva, não deve ser confundido com tolice. “Claro que eu não sou boba e tenho um outro lado, como todo mundo. Por ecxemplo: se não vou com a cara de alguém, nem adianta. Confio na minha intuição. Já dei uma surra numa vizinha que me irritou demais. E o melhor: a rua toda comemorou. Descobri depois que ninguém gostava delaâ€, lembra Xereta, à s garagalhadas, para uma blogueira perplexa tentando imaginá-la surrando alguém na rua. Confira você memso do que Xereta é capaz nos vÃdeos a seguir:
2008 parece ter sido o ano das danças/ritmos infames e pegajosos. Depois da dança do quadrado, vem agora a dança do Kuduro . Mais do que uma coreografia ou um jeito de bailar, o Kuduro é um ritmo que começa a arrebanhar adeptos e já está gerando competição em programas de auditório em São Paulo. Só que esse não foi inventado por nenhum criativo ocioso. O Kuduro é um ritmo tradicional angolano. Parece meio “poperô†misturado com funk, miami bass… DifÃcil de definir. O Overmundo tem praticamente um tratado sobre o tema. Leia aqui
“Kuduro= Bunda imóvel, sem rebolar, o que, considerando-se que um dos movimentos fundamentais da dança angolana é o sofisticado rebolado (dos homens inclusive), é muito significativo. Algo como uma dança diferente , supostamente ‘moderna’, no âmbito das danças tradicionais que, como já disse, são extremamente rebolativas. Contudo, dança livre que é, no Kuduro também se pode rebolar, é claro, basta querer.â€
Depois que Urblog presenciou (e registou em vÃdeo) um cidadão paulistano – Fernando Gazzaneo - tentando fazer a dança do Kuduro baseando-se na curiosa competição que rolava num programa de TV, surgiu a curiosidade. Logo depois veio a descoberta da origem e do quanto o Kuduro já se espalhou por aÃ. E na sequência, a inevitável intuição urbloguiana: essa modinha vai pegar. Isto posto, queridos leitores, Urblog vem a público apostar numa tendência de dança urbana – criada na periferia angolana – que deve contaminar as ruas do Brasilzão e da Paulcéia ao lado do funk, do axé… Genteeeee!
Um dia quente, muito quente na cidade de São Paulo. Os termômetros, implacáveis, apontam: 33 graus. No meio de um congestionamento, a sensação deve ser idêntica à experimentada numa sucursal do inferno (alguém já foi?). Subindo a rua Augusta a 25 por hora, o tráfego ajuda urblog a flagar as cenas.
1. Sob sol escaldante e brisa zero, por quê cargas d’água o motoqueiro está com uma jaqueta dessas? Será que para andar de moto o uso do jaco (termo tão paulistano quanto “mano†ou “rachar o bicoâ€) é obrigatório? Não, né? Só estilo…Hot style…
2 - A insustentável porqueira do ser … Em tempos de tragédias ambientais (ou será que a desgraceira de Sta. Catarina não é vingança da natureza?), reciclagem de materiais e efeito estufa a milhão, não pega bem deixar o lixo desse jeito, né gente? Flagra na rua Augusta, quase esquina com Alameda Santos.
3 – Sim, ela estava “fazendo necessidades†na calçada. Quando notou a presença implacável do N95 do Urblog, tratou de levantar – mas já devia ter terminado o seviço, de qualquer modo.
…subiu a calça, pegou as tralhas e saiu andando.
Julio mora no Brás, “perto da 25â€. Tem uma loja de bijuterias no mesmo conturbado bairro. E trabalha num estacionamento na Barra Funda. Costuma fazer o percurso Brás-Barra Funda de bicicleta. Mas à s vezes vai ou volta de carro. Nesta época do ano, no entanto, em que a região do centro fica quase intransitável por causa do Natal, Julio prefere a bike. Claaaaaaaaaaaaaro. “É muuuuuuuuuuito melhorâ€, diz. O percurso de 15 minutos sobre duas rodas pode chegar a duas horas sobre quatro. Não dá nem para comparar. O único inconveniente da bike é o fato de os motoristas de automóveis, ônibus e caminhões não respeitarem as magrelas, o que pode tornar o rolê perigoso. Praticamente um esporte radical urbano de altÃssimo risco.
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O ano nem acabou e a cidade já tem presente garantido no próximo aniversário, 25 de janeiro (domingo). É o ConnectUSP: internet wi-fi grátis e rápida para alunos, visitantes, professores e funcionários da Cidade Universitária. É a USP plugada no mundo. Ao inaugurar a Nokia Store (Rua Oscar Freire, 849), a empresa lançou a campanha para presentear a cidade. Milhares de pessoas votaram no presente que acharam mais legal e o resultado saiu hoje, dia 08. Interatividade atrai interatividade. Simples assim.
… diz que foi por aÃ, levando um violão debaixo do braço. Em qualquer esquina ele pára, em qualquer banco de metrô, ele senta. E é mais um samba que faz. Ou blues.
Marcos, universitário, gosta de acampar e leva um adesivo do Che (Hay que endurecer…) no violão, o amigo inseparável.
Marcos é versátil, mas não pensa em sobreviver só de música. Para isso, tem a Filosofia. Sim, ele é estudante de Filosofia mesmo.
A caminho de um encontro com amigos – grupo de estudo, roda de violão, paquera, cervejinha, clima hippie -, dá uma canja no Metrô. Sempre dá canjas em transportes coletivos. “A maioria gosta, mas teve uma menina que reclamou. Nem ligo, toco mesmo, faço som em qualquer lugar. Melhor do que essa coisa individualista de cada-um-com-seu-fone-de-ouvidoâ€, reclama. O rapaz questiona os tempos modernos, essa época em que é cada um no seu quadrado, cada um com seu Ipod (ou Ipobre, o mp3 – ou 4). Urblog notou: esse cara ainda é meio socialista. Com bem menos de 25 anos e estudante de Filosofia, se ele não acreditasse no socialismo poderia ser chamado de esquisito (no mÃnimo). Ou mau caráter (no máximo), como já disse mais ou menos o presidente da República (mas deu enfase sobre os que permanecem faz do Che depois dos 60).
Estação Carandiru
Estação Armenia – Antiga Ponte Pequena
Estaçããão Luz
Estação Sé, desembarquem pelo lado esquerdo do trem
Bom… O assunto rendeu, leitores. Aliás, sexo sempre rende muita conversa.
Antes de encontrá-lo, achei que o professor era do estilo taradão, tal… Mas nem.
Formado em Teologia Messiânica, o professor de sexo Dorival Coutinho diz que o principal conflito da sociedade ocidental é decidir entre o Sagrado e o Profano. No inÃcio do curso, o professor remove uma “montanha de lixo†da cabeça dos alunos. Durante toda a conversa SOBRE SEXO, Dorival fala de Deus, de fé e de amor.
Casado há 35 anos com a mesma mulher, o professor diz que pratica quase todos os dias.
Dorival dá um conselho de amigo para os homens: “aprendam a rebolar, entrem no clima, mas nada de fio terraâ€.
As aulas, sempre aos sábados, são de duas horas e custam R$ 50.
A sala de aula é uma bar/sinuca ajeitado, em tons avermelhados…
Saiba mais aqui
Este personagem foi sugerido ao Urblog por Fernando Gazzaneo.
Avenida São Luiz, 187. Espaço Metrópole, na galeria de mesmo nome. Segundo andar. Sinuca, lan house e bar… Meio escurinho, tudo vermelho e preto.
Produro Dorival Coutinho, em cujo número de telefone aparece duas vezes a dezena “”69″. Proposital, é claro.
Ele já comça logo falando de fé, Deus, religiosidade. Mas já foi oerseguido por fanáticos. É chamado de depravado. Dorival é teólogo por formação, produtor de filmes pornôs e professor de sexo por vocação. Seu curso foge totalmente dos clichês do gênero. Nada de dicas para apimentar a relação. Nas aulas práticas, os homens treinam para ter prazer bem antes da ejaculação – e prolongar o perÃodo entre as preliminares e o ato sagrado de gozar. As mulheres aprendem a se masturbar, a preparar o ambiente (como as indianas fazem) e etc.
Dorival já deu palestras sobre motivação numa empresa evangélica. Discursou citando trechos da BÃblia. Ninguém desconfiou que ali estava um professor de sexo. Um missionário, na verdade, segundo o próprio. A missão? Livrar as pessoas da culpa e dos dogmas que geram repressão sexual, aprisionam a libido e… Bom, depois disso, aprender strep-tease e decorar novas posições sexuais parece bem mais fácil.
A maioria dos clientes é homem e faz o curso sozinho. No inÃcio, Dorival formava atores pornôs. Mas notou que as pessoas o procuravam com a intenção de melhorar a perfomance, não trabalhar no cinema.
Nos próximos posts, confira os vÃdeos com a entrevista de Dorival. Ele fala de traição, fé, o dilema entre o sagrado e o profano, amor, perseguição e…sexo, claro, sua especialidade. E explica, entre outras coisas, porque os homens não precisam mesmo gostar de “fio terraâ€.